Pessoas lúcidas e que fazem o bom uso da razão costumam ir ao Ceará para ver praia. O estado reúne alguns dos destinos mais fuzilantes do Brasil. Jericoacoara, Canoa Quebrada, Morro Branco, Flexeiras, Taíba e Mundaú são apenas alguns exemplos do éden na terra.
Já seres dementes e obsessivos (chamou?) viajam para o estado em busca da… rapadura perfeita. Não consigo me lembrar quando e onde ouvi falar pela primeira vez dos Engenhos que se aglomeram na rodovia, a 35 quilômetros de Fortaleza. Eles não têm site, são poucas ocorrências no Google e os poucos telefones que encontrei não atendiam. Ninguém sabe, ninguém viu.
Mas num pequeno trecho de estrada — saindo da capital em direção ao Litoral Leste, na altura do km 37 da CE 040 — eles começam a aparecer. Tímidos, rústicos, simplórios. A produção é artesanal, passada de geração em geração. No Ceará, grande parte da safra de cana é destinada à fabricação de rapadura, considerada a mais brasileira das iguarias (embora sua origem seja disputada entre Açores e Canárias).
Ao contrário do que eu imaginava os trabalhadores dos engenhos já estão acostumados com os curiosos. Muita gente que vai em direção a Aquiraz (onde fica o Beach Park), Águas Belas, Morro Branco ou Canoa Quebrada acaba parando por aqui. O passeio é contemplativo. Observar a produção de rapadura em engenhos centenários coloca você como testemunha contemporânea do que restou deste Brasil Colonial.



