sábado, 10 de setembro de 2016

Brasil é um dos dez piores em rendimento escolar, aponta ranking internacional



Estudo apresentado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que Brasil, Peru, Colômbia e Argentina lideram em notas baixas na escola. Mesmo com resultado ruim país teve melhora em matemática

O Brasil é um dos dez países com mais alunos com baixo rendimento escolar em matemática, leitura e ciência, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, que avaliou a situação de 64 nações. De acordo com o levantamento, 1,1 milhão de estudantes brasileiros com 15 anos não têm capacidades elementares para compreender o que leem nem conhecimentos essenciais de matemática e ciências. Ao mesmo tempo, o relatório revela que o Brasil é um dos países que mais reduziram o número de alunos sem conhecimentos básicos de matemática.

“Acredite: você não odeia matemática”

O relatório, intitulado Alunos de baixo desempenho: por que ficam para trás e como ajudá-los?, baseia-se em dados de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), da OCDE. A Indonésia apresentou os piores resultados, com 1,7 milhão de estudantes com baixo desempenho. Ao lado do Brasil, Peru, Colômbia e Argentina são alguns dos países com pior rendimento escolar nas três disciplinas.

Dos 2,7 milhões de alunos de 15 anos avaliados no Brasil, 1,9 milhão tinham dificuldades em matemática básica, 1,4 milhão em leitura e 1,5 milhão em ciências. Cruzados, os números indicam que 1.165.231 estudantes tinham dificuldades em cumprir tarefas básicas nas três áreas de conhecimento.

Outra constatação do estudo é de que o Brasil está no “top 10” de países mais desiguais do mundo no que diz respeito à diferença de desempenho entre estudantes de classes sociais altas e baixas.

Matemática – O Brasil, diz a organização, é um dos nove países que mais reduziram o número de estudantes com problemas em matemática básica no período entre 2003 e 2012. A redução foi de 18%. México, Tunísia, Turquia, Alemanha, Itália, Polônia, Portugal e Rússia também apresentaram resultados semelhantes.

Na área matemática, 67,1% dos alunos brasileiros estão abaixo do nível 2 (os níveis são de 1 a 6). Os últimos patamares são alcançados apenas por 0,8% dos estudantes brasileiros. No ranking, o país fica em 58º lugar, somando 391 pontos na escala do PISA, contra uma média de 494 pontos obtidos por estudantes que vivem em países-membros da OCDE, entidade composta por 34 nações.

Parte dos resultados ainda muito negativos do Brasil se deve à maior inclusão de estudantes no sistema educacional ao longo dos últimos 15 anos, de acordo com Alfonso Echazarra, analista da Direção de Educação da OCDE. Entre 2003 e 2012, o índice de escolarização passou de 65% para 78%.

Como a inclusão se dá incorporando alunos que estão na base da pirâmide social, em classes mais desfavorecidas, seus primeiros anos de educação são mais problemáticos, pois eles costumam frequentar escolas com menos recursos, como as de regiões rurais. Nesse cenário, a redução do número de estudantes com problemas em matemática, leitura e ciências é um sinal positivo que pode ser comemorado.

“O Brasil é um claro exemplo de que o investimento em educação leva a melhores resultados, o que nem sempre é o caso em outros países”, explica Echazarra.

Recomendações – Em termos mundiais, entre os 12,9 milhões de alunos com desempenho baixo, 11,5 milhões têm problemas em matemática, 8,5 milhões leem com dificuldades e 9 milhões têm lacunas no aprendizado de ciências.

Para romper o ciclo de baixo nível educacional, a OCDE recomenda que os governos identifiquem os estudantes com baixa performance e lhes ofereçam estratégias para a recuperação.

Entre as propostas da entidade, a maior parte tem caráter estrutural: reduzir a desigualdade no acesso à educação, estimular a inscrição escolar o mais cedo possível, envolver os pais na comunidade escolar e fornecer programas de auxílio financeiro às instituições de ensino e às famílias carentes.

sábado, 27 de agosto de 2016

Quase cem cidades do país só têm um candidato a prefeito



Ao menos 97 cidades do país não terão uma disputa propriamente dita à prefeitura neste ano. É que em todas elas há apenas um candidato concorrendo.

Isso ocorre especialmente em cidades pequenas, mas há também municípios médios, como Jales, no interior de SP, que tem quase 50 mil habitantes, e Nova Mutum, em MT, que tem 40 mil pessoas.

O Rio Grande do Sul é o estado com o maior número de municípios com políticos disputando sozinhos o posto: 32. São Paulo tem 17, Minas Gerais, 16, e Paraná, 14.

Veja a relação completa, segundo dados do TSE:

Jati - CE
Moiporá - GO
Mutunópolis - GO
São João da Paraúna - GO
Vianópolis - GO
Bom Jesus da Penha - MG
Carmésia - MG
Carrancas - MG
Comendador Gomes - MG
Divisa Nova - MG
Doresópolis - MG
Espírito Santo do Dourado - MG
Gameleiras - MG
Guarda-Mor - MG
Inimutaba - MG
Jequitibá - MG
Machacalis - MG
Maripá de Minas - MG
Ninheira - MG
Porto Firme - MG
Vargem Bonita - MG
Douradina - MS
Nova Mutum - MT
Nova Xavantina - MT
Bernardino Batista - PB
São Mamede - PB
Olho D'água do Piauí - PI
Altamira do Paraná - PR
Araruna - PR
Assis Chateaubriand - PR
Bom Jesus do Sul - PR
Brasilândia do Sul - PR
Cidade Gaúcha - PR
Itaguajé - PR
Janiópolis - PR
Miraselva - PR
Santa Izabel do Oeste - PR
Santa Mariana - PR
São Jorge do Ivaí - PR
São José da Boa Vista - PR
Terra Boa - PR
Lucrécia - RN
Almirante Tamandaré do Sul - RS
Anta Gorda - RS
Barra do Rio Azul - RS
Barra Funda - RS
Canudos do Vale - RS
Carlos Gomes - RS
Condor - RS
Cotiporã - RS
Crissiumal - RS
Doutor Maurício Cardoso - RS
Engenho Velho - RS
Erval Grande - RS
Estrela Velha - RS
Ivorá - RS
Lagoa dos Três Cantos - RS
Mato Queimado - RS
Nova Pádua - RS
Novo Barreiro - RS
Pejuçara - RS
Pinhal - RS
Porto Mauá - RS
Protásio Alves - RS
Putinga - RS
Rodeio Bonito - RS
Santo Antônio do Planalto - RS
São José das Missões - RS
São José do Herval - RS
São José do Ouro - RS
São Pedro das Missões - RS
Tio Hugo - RS
Vista Gaúcha - RS
Westfália - RS
Caibi - SC
Cordilheira Alta - SC
Planalto Alegre - SC
Salto Veloso - SC
Tigrinhos - SC
Alto Alegre - SP
Balbinos - SP
Bocaina - SP
Brejo Alegre - SP
Itaju - SP
Itaoca - SP
Jales - SP
Lucianópolis - SP
Mira Estrela - SP
Nova Granada - SP
Ocauçu - SP
Orindiúva - SP
Pedreira - SP
Santópolis do Aguapeí - SP
Tupi Paulista - SP
Valentim Gentil - SP
Viradouro - SP
Itapiratins - TO

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

RECORDAÇÕES DO TREM

Um povoado monótono e aprazível, esmaecido na preguiça de um tempo lento em que a existência do trem, assim como a construção da sua estação ferroviária eram por assim dizer, o maior de todos os sonhos até então realizados nas paragens do Sertão. A mais inacreditável das invenções humanas direcionadas ao progresso dos sertões, até então abandonados no oco do mundo pelos homens da política do litoral. O trem, portanto era um acontecimento social. Uma festa quase utópica e operística.

Uma criação tão fantástica ao ponto de ninguém querer desejar mais nada das hostes do poder. Em última análise, o trem era a glória das glórias... E Mumbaça de alguma maneira vivia isso em todas as suas plenitudes e consequências. O progresso e a modernidade, diziam as elites paroquiais, começavam a dá o ar da sua graça...

Todos esperavam o trem que vindo de Mossoró e de Souza trazia consigo as notícias e as novidades do mundo. Era o trem de ferro rasgando a caatinga. Era o jornal e a televisão daquele tempo de atraso, ignorância e dificuldades. Razão pela qual a ‘pedra da estação’ de todo o interior passou a ser o local mais frequentando pela sociedade da época.


Sem distinção de cor ou posição social. Um teste de democracia de modo antecipado e que ninguém parecia não se dá conta. A multidão se acotovelava literalmente em toda a extensão da plataforma da estação do trem. Curiosos, viajantes, chapeados, crianças e vendedores ambulantes, todos se misturavam numa massa compacto e quase uniforme de gente na eufórica expectativa da passagem do trem. A pedra da estação ficava lotada de jovens e idosos da vila e dos sítios adjacentes. E até mesmo de cidades circunvizinhas como Martins e Lucrécia. 








PEÇAS QUE EM BREVE ESTARÃO NO NOSSO MUSEU DA ESTAÇÃO.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

TEMOS O NOSSO BAOBÁ

VOCE SABIA QUE A ARVORE MILENAR AFRICANA BAOBÁ EXISTE EM FRUTUOSO GOMES? NO SITIO EXU ENCONTRAMOS ESSA RARIDADE. A MAIS ANTIGA É A DE NATAL DA RUA SAO JOSE COM 150 ANOS.

                                                BAOBA NA RUA SAO JOSE EM NATAL



                                          NOSSO BAOBÁ LOCALIZADO NO SÍTIO EXU
                                                  FOTO DO BAOBÁ DO EXU NO INVERNO

sexta-feira, 8 de julho de 2016

ERA SÓ O QUE FALTAVA A MURIÇOCA TRANSMITINDO ZIKA

68ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC

Crescem evidências de que pernilongo também transmite Zika


Em testes de laboratório, pesquisadores da Fiocruz no Recife constataram presença do vírus Zika na saliva do mosquito

O mosquito Aedes aegypti tem sido apontado como o principal vetor do vírus Zika, que, estima-se, infectou até junho 49 mil pessoas dentre 139 mil casos notificados no Brasil, e causou o nascimento de 1,6 mil crianças com microcefalia em 582 municípios.

Mas, além do Aedes aegypti, o Zika também pode ter outros vetores, como o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca, sobre o qual crescem as evidências de que pode estar envolvido na emergência do vírus no país.
O alerta foi feito por Constância Flávia Junqueira Ayres Lopes, pesquisadora do IAM (Instituto Aggeu Magalhães) da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Recife, Pernambuco, em uma mesa-redonda sobre “O mosquito, o vírus e o que temos para combatê-los”, durante a 68ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que ocorre até o próximo sábado (9/7), no campus de Porto Seguro da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia).
“Há sérias dúvidas se o Aedes aegypti é um vetor exclusivo do vírus Zika”, disse Lopes. “Em ambientes silvestres várias espécies de Aedes estão implicadas no processo de transmissão. Por que em ambientes urbanos somente uma espécie estaria envolvida?”, questionou.
De acordo com a pesquisadora, o mosquito Aedes aegypti começou a ser incriminado como vetor do vírus Zika em 1947, quando foi encontrado em uma floresta com nome homônimo em Uganda, na África, por pesquisadores financiados pelo Instituto Rockefeller, dos Estados Unidos.
Os pesquisadores estavam tentando isolar o vírus da febre amarela e, para isso, estudaram mosquitos de espécies de Aedes, velhos conhecidos como transmissores da doença.
Ao analisar o material coletado, eles observaram que o vírus que isolaram era diferente e o batizaram de Zika em homenagem à floresta onde foi descoberto.
Desde então, diversos outros isolamentos do vírus Zika foram feitos a partir de diferentes espécies de Aedes, como o Aedes africanus, contou a pesquisadora.
Em 1966, quando houve a primeira emergência do vírus Zika, na Malásia, foram analisados inúmeros pools de mosquito no país asiático e identificado apenas um como Aedes aegypti.No início da emergência do Zika no Brasil, a pesquisadora decidiu investigar se o Culex quinquefasciatus também poderia transmitir o vírus. O mosquito é 20% mais abundante do que o Aedes aegypti no ambiente urbano e é vetor de outros arbovírus (transmitidos essencialmente por artrópodes), como o do Oeste do Nilo e da encefalite japonesa, que são próximos do vírus Zika.
Além disso, começou a chamar a atenção da comunidade científica e da OMS (Organização Mundial da Saúde), por meio de cartas publicadas em revistas como Lancet, sobre a urgência e a necessidade de se investigar outras espécies de mosquito que também podem ser vetores do vírus Zika, e não apenas o Aedes aegypti .
“Até então, infelizmente, a comunidade científica e a OMS estavam focando só o Aedes aegypti e todo o combate ao vírus Zika foi voltado exclusivamente para essa espécie de mosquito, negligenciando uma série de outras, como o Culex quinquefasciatus”, afirmou Lopes.
Os resultados dos ensaios realizados pelos pesquisadores, em que foram infectados, em laboratório, mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti com Zika para comparar suas capacidades de transmitir o vírus, indicaram que o desempenho das duas espécies é muito semelhante.
Os pesquisadores conseguiram observar a presença do vírus Zika na glândula salivar dos mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti três dias após infectados.
“Esse ciclo é menor do que o do vírus da dengue, que leva entre 10 a 15 dias para vencer as barreiras de resistência e chegar à glândula salivar dos mosquitos. O pico de surgimento do vírus Zika na glândula salivar dos insetos ocorre sete dias após serem infectados”, detalhou Lopes.
A fim de verificar se o vírus Zika era capaz de sair da glândula salivar e ser encontrado na saliva dos mosquitos, os pesquisadores realizaram um teste em que expuseram os insetos a um papel filtro coberto com mel e um antibiótico.
Ao se alimentar do mel, os mosquitos depositavam saliva no papel filtro, que era coletada e dela extraído o RNA.
O resultado do ensaio, em vias de ser publicado, aponta que o Zika está presente e com carga semelhante na saliva dos mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti.
“Como o Culex quinquefasciatus é mais abundante no ambiente urbano do que o Aedes aegypti, queremos saber agora qual tem maior importância no papel de transmissão do vírus Zika”, disse Lopes.
Os resultados dos estudos realizados pelos pesquisadores da Fiocruz foram apresentados à OMS, que recomendou à Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) que outras espécies de mosquitos – principalmente o Culex quinquefasciatus – fossem investigados em regiões com casos registrados de infecção por vírus Zika no mundo.





sábado, 25 de junho de 2016

FALECE DR LACY XAVIER








O médico aposentado Francisco Xavier de Lucena, conhecido na cidade serrana de Martins como
“Dr. Lacy”, Faleceu hoje dia 22/06 por volta de 01:10 da manhã, causa morte natural em Aracaju
capital do estado de Sergipe. Dr. Lacy foi prefeito de Martins, nos anos de (1953 a 1958).Dr. Lacy 
contava com a idade de 98 anos neste dia 15 de julho completava seus 99 anos.

HA ALGUMAS REPORTAGENS ANTERIORES FIZEMOS REFERENCIA A ESTE GRANDE 
MEDICO QUE ERA UM EXEMPLO DE VIDA E SERIA O MEDICO MAIS IDOSO DO RN E 
TALVEZ DO BRASIL. INFELIZMENTE TIVEMOS A SUA PARTIDA.

domingo, 5 de junho de 2016

Dolorosa e duradoura, 'chikungunya vai ser surpresa maior que zika’, diz pesquisadorCompar

Pacientes com chikungunya, zika e dengue são atendidos em Monteiro (PB), em fevereiro de 2016

Image copyrightAP
Image captionEm até 50% dos casos de chikungunya, pacientes ficam com dores crônicas e incapacitantes por meses ou anos
O pesquisador Carlos Brito, primeiro a levantar a hipótese de relação entre zika e microcefalia em Pernambuco, continua preocupado.
Apesar da chegada do inverno, quando diminuem os ataques do mosquito Aedes aegypti - transmissor de dengue, zika e chikungunya -, ele aposta que as doenças continuarão sendo a principal fonte de problemas para o governo do presidente interino Michel Temer.
E o impacto maior pode vir de onde menos se espera.
Segundo Brito, cientista da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e membro do Comitê Técnico de Aboviroses do Ministério da Saúde, onde atua como consultor, a dispersão da febre chikungunya pelo Nordeste tem deixado um rastro de adultos e idosos com dores crônicas graves que sobrecarrega os serviços de saúde, já impossibilitados de atender a demanda normal.
O grande desafio para o governo serão essas grandes epidemias. Ainda não sabemos a dimensão do que vai acontecer com a epidemia de zika em outras regiões do país", disse à BBC Brasil.
"Mas a chikungunya vai trazer mais surpresas do que a própria zika e a dengue. Como pesquisador, tenho ficado impressionado com seus efeitos."
Enquanto a dengue é capaz de atingir cerca de 5 a 10% de uma população, a chamada "taxa de ataque" da chikungunya pode chegar a 50%, avalia Brito. A zika, cujo percentual de atingidos ainda é desconhecido, deve ficar entre as duas, ele estima.

Números subestimados

De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, já são mais de 64 mil notificações de casos de chikungunya até 23 de abril de 2016, contra 38 mil em 2015. Mais de 11 mil casos foram confirmados em todo o país.
Brito, no entanto, diz acreditar que os números são muito maiores.
"Pernambuco, por exemplo, está dizendo que o maior número de casos este ano é de dengue, mas nós vemos pouquíssima dengue na prática. O maior número é de chikungunya, e há uma subnotificação impressionante por uma série de razões, incluindo despreparo dos profissionais para fazer as notificações de forma correta", afirma.
"Com três vírus circulando no país, o modelo da vigilância epidemiológica não consegue ser mais fiel à verdadeira situação da epidemia."
Até o dia 24 de maio, Pernambuco registrou mais de 30 mil casos notificados de chikungunya e cerca de 75 mil de dengue, segundo a Secretaria de Saúde do Estado.
"Quando começaram a aparecer os casos de microcefalia em Pernambuco, o Estado tinha 4 casos notificados de zika e 120 mil de dengue. Destes, provavelmente cerca de 90 mil eram zika. O mesmo deve estar acontecendo agora com a chikungunya."
Em fevereiro, a reportagem da BBC Brasil visitou Vitória de Santo Antão, a 60 km de Recife, e encontrou emergências hospitais e postos de saúde superlotados com pacientes de arboviroses (grupo que inclui as doenças transmitidas por mosquitos) - o Estado estava no meio de seu primeiro surto de chikungunya.
Em bairros da cidade, moradores relatavam a rapidez com que a doença se espalhou por famílias e ruas.
"Já passamos do surto, mas os próprios pacientes do interior brincam dizendo que saem nas ruas e parece que estão em uma cidade de múmias, porque as pessoas andam com dificuldade", afirma Brito.
Aedes aegyptiImage copyrightAFP
Image captionVírus foi trazido por funcionário da construção civil que veio de Angola para visitar a família na Bahia em 2014

Impacto

Ao contrário do que ocorre com a zika, ainda não há evidências de que o vírus da chikungunya seja transmitido da mãe para os bebês durante a gravidez, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, a doença tem suas próprias peculiaridades.
Em seus primeiros dez dias, os sintomas costumam ser febres, fortes dores e inchaço nas articulações dos pés e das mãos. Em alguns casos, ocorrem também manchas vermelhas no corpo.
Mas mesmo com o fim da viremia - período em que o vírus circula no sangue - a dor e o inchaço causados pela doença podem retornar ou permanecer durante cerca de três meses. Em cerca de 40% dos casos, eles tornam-se crônicos e podem permanecer por anos.
"A intensidade do sofrimento dos pacientes para mim foi uma surpresa, mesmo que a literatura já falasse disso", diz Brito.
"São pessoas que podem ficar meses sem conseguir trabalhar, com dores muito intensas que não melhoram com analgésicos habituais como dipirona e paracetamol", continua.
"Elas têm dificuldade de andar, de pentear o cabelo, de tomar banho sozinhas. E isso acontece na parte produtiva da vida, porque a maioria dos acometidos são adultos e idosos. Então além do impacto na qualidade de vida, há também um impacto econômico de dimensão ainda não calculada."
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Depoimento: 'Não sou mais a mesma pessoa'

Conceição CarneiroImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image captionConceição Carneiro: 'Já não conseguia escrever, não conseguia sentar, nem andar, nem ir ao banheiro. Parecia que meu corpo estava paralizado pela dor'
Peguei chikungunya em setembro de 2014, quando a epidemia começou em Feira de Santana. Tive febre, dores no corpo e fiquei uma semana afastada com o mal estar. Na época, não fiz o exame sorológico. Me recuperei, mas continuei tendo inchaço no corpo, principalmente as pernas, com frequência. Fiz diversos exames com especialistas, porque não imaginei que fosse da chikungunya.
Em setembro de 2015, eu passei a sentir dores muito fortes. Já não conseguia escrever, não conseguia sentar, nem andar, nem ir ao banheiro. Parecia que meu corpo estava paralisado pela dor. Fiquei internada por dois dias e a sorologia identificou o vírus.
Desde então, eu não tenho mais vida social. Às vezes sento e não consigo me levantar. Tem dias em que não consigo ir ao trabalho. Não calço mais salto alto, não abaixo mais para pegar nada no chão. Acordo à noite sentindo dores, dormência nas mãos, cãimbra nas pernas, não durmo bem.
Eu perdi todas as roupas porque ganhei cerca de 18 quilos. Não consigo fazer atividades físicas. Já tentei pilates, hidroginástica, caminhada, mas não aguento, porque os nervos estão inflamados. A medicação que tomo é forte e eu não vejo muito resultado. A médica me disse que tenho que tomar por tempo indeterminado, porque não sabemos quando ficarei bem.
Não consigo mais ir a festas porque não aguento ficar em pé nem sentada por muito tempo. Só a gente não poder se arrumar como quer já mexe com a autoestima. Não uso mais anéis, porque os dedos começam a inchar.
Antes eu morava sozinha e era independente, mas hoje moro com minha sobrinha porque não consigo fazer muita coisa. Não consigo pegar uma garrafa térmica para colocar o café na xícara. Minhas mãos não a sustentam.
Pedi auxílio-doença no INSS em outubro, com os relatórios das médicas. Mas foi no período em que os peritos estavam em greve. Então eu fiquei sem receber meu salário nem o auxílio durante 3 meses. Passei dificuldade financeira, foi minha família que me deu suporte. Em janeiro eu tive que voltar ao trabalho, mesmo sem condições.
A sensação que a gente tem é de ser um robô, uma múmia, o corcunda de Notre Dame. Por pouco não fiquei deprimida. Tomei antidepressivos por quatro meses porque as médicas perceberam alterações no meu humor.
Tem dias em que você acorda mais animada, mas aí vem aquela sensação de desgaste físico como se você tivesse corrido uma maratona. Não sou mais a mesma pessoa. Ando pelas ruas me segurando nas paredes.
Conceição Carneiro, de 40 anos, é assistente social e mora em Feira de Santana, na Bahia.