sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Mais conversa, menos exames e remédios: o que propõe o movimento por 'Medicina sem Pressa'

Tomás Chiaverini



Médico em consultaImage copyrightTHINKSTOCK
Image captionA Slow Medicine faz parte do movimento que começou na gastronomia italiana em 1986 e tem milhares de adeptos em todo o mundo

Uma medicina mais lenta e atenta às necessidades individuais de cada paciente, que priorize o diagnóstico clínico - e não os exames - e a prevenção em vez da medicação.
Esses são alguns dos pontos defendidos pelo movimento Slow Medicine ("medicina sem pressa", em tradução livre), que desembarcou há pouco no Brasil.
Trata-se da versão medicinal de uma filosofia que teve origem na gastronomia em 1986, na Itália, e ganhou em 2004 sua bíblia, o livro Devagar - Como um Movimento Mundial está Desafiando o Culto da Velocidade (Record), do jornalista britânico radicado no Canadá Carl Honoré.
Ao destrinchar um movimento que pede calma numa sociedade estressada pela pressa, o autor agradou leitores de todo o mundo e acabou na estante dos mais vendidos. E a moda "Slow" ganhou adeptos ao redor do planeta - e em diversas áreas.
Na medicina, o termo foi usado pela primeira vez pelo cardiologista italiano Alberto Dolara, num artigo publicado em 2002. Para ele, o movimento Slow seria uma contrapartida ao "constante impulso de aceleração na sociedade moderna".

Médico prescrevendo remédioImage copyrightTHINKSTOCK
Image captionSlow Medicine defende menor uso de medicamentos

Consultas mais demoradas são um dos pilares da filosofia - a ideia é que o paciente seja visto como uma pessoa completa, não como um conjunto de enfermidades -, mas há outros aspectos envolvidos.
Entre eles estão o compartilhamento das decisões, a ênfase na saúde e não na doença e a prevenção como terapia.
As propostas, no entanto, recebem críticas de outros especialistas, que defendem haver outras prioridades na medicina.
"Até louvo as entidades que queiram ter uma medicina mais personalizada", disse o ex-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Aguinaldo Nardi.
"É o que nós devíamos ter mesmo. Mas estamos muito longe disso."

MontagemImage copyrightDIVULGAÇÃO
Image captionJosé Carlos Campos Velho (esq.) e Dario Birolini (centro) são os fundadores da Slow Medicine no Brasil. Nardi (dir.) contesta o movimento e defende a campanha Novembro Azul, do Instituto Lado a Lado pela Vida

Para o médico, porém, o primeiro passo seria ter um bom sistema de saúde global. "Nós ainda estamos longe de ter uma saúde de qualidade para todos", afirmou.

Menos remédios e exames

Já os entusiastas da Slow Medicine afirmam que suas propostas poderiam baratear o sistema de saúde ao propor, por exemplo, um menor uso de medicamentos e exames.
"Acho nossos remédios uma maravilha", afirmou o clínico-geral, geriatra e cofundador da Slow Medicine no Brasil José Carlos Aquino de Campos Velho.
"Hoje temos a possibilidade de curar ou controlar doenças que até 20 anos atrás matavam. Mas a questão é o uso abusivo e excessivo de medicamentos."
Segundo ele, é preciso questionar, por exemplo, certos casos em que drogas são utilizadas como instrumento de prevenção.
"Um paciente com colesterol alto, mas que nunca teve nenhum episódio cardíaco mais grave, não fuma, não tem histórico familiar de doença do coração e se exercita, talvez não deva tomar remédio", disse.
Isso porque, avalia, é necessário medicar uma população enorme para se evitar um único infarto - o que aumenta os custos de planos particulares e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Por outro lado, afirma, cria-se uma ampla gama de pacientes sujeitos aos efeitos colaterais dos medicamentos, como mialgia, miopatia, diabetes e problemas cognitivos.
Outro aspecto da medicina atual que é criticado pelos adeptos da Slow Medicine é o excesso de pedidos de exames.
Para Campos Velho, o fenômeno traz uma série de problemas, que vão dos custos elevados ao estresse, muitas vezes desnecessário, de um paciente que tem de aguardar uma semana para saber, por exemplo, que aquela manchinha de nascença não se transformou em um câncer fatal.
"Não é que a gente seja contra os exames", disse. "Mas a gente defende que isso deve ser individualizado. Que a decisão deve ser tomada de maneira consciente pelo paciente, depois de ele ser informado sobre os riscos e benefícios que pode ter."
Campos Velho usou como exemplo uma dor nas costas.
"Se não tiver nenhum indicador que possa sinalizar um problema mais sério como um câncer, por exemplo, não se deve nem fazer um exame de imagem."
"Porque ao fazer uma ressonância ou um raio-X, é provável que se encontre alterações que talvez nem tenham relação com a dor, mas que possam ser passíveis de procedimentos."
A solução para casos como esse? Tempo, responde o médico. Se necessário medicar com analgésico e anti-inflamatório e esperar para ver como os sintomas se comportam, afirma.
O caso hipotético do paciente com dor nas costas ilustra o oitavo dos 10 princípios da Slow Medicine: colocar a segurança do paciente em primeiro lugar. E se completa com a ideia de que, na dúvida, para evitar um mal maior, o médico deve abster-se de intervir.

Contra o azul e o rosa

O movimento ganha uma boa dose de polêmica por se colocar contra campanhas como o Outubro Rosa, voltado à prevenção do câncer de mama, e o Novembro Azul, que incentiva o diagnóstico precoce de câncer de próstata.

Congresso no Novembro AzulImage copyrightEBC
Image captionCampanhas como o Novembro Azul viraram ação "de marketing", critica geriatra

"Virou uma campanha de marketing que gera um grande número de solicitação de exames", opina Campos Velho.
"Muitos desses exames acabam gerando procedimentos e muitos desses procedimentos são invasivos e levam a cirurgias que podem causar impotência e incontinência urinária", afirmou o geriatra, referindo-se ao Novembro Azul.
Segundo ele, além dos falsos positivos, há um grande número de pacientes que vai, sim, desenvolver o câncer, mas que, por estar em idade avançada ou sofrendo de males diversos, acabará morrendo por outros motivos.
A opinião de Campos Velho ecoa um artigo do urologista Marcio D'Imperio, publicado no site da Slow Medicine Brasil.
O texto cita dados de um estudo publicado em 2012 pelo semanário científico americano New England Journal of Medicine, que acompanhou 180 mil homens entre 50 e 74 anos.
Os resultados indicaram que, ainda que tenham sido diagnosticados mais tumores, a mortalidade geral dos pacientes que fizeram rastreamento por meio do exame PSA e dos que não fizeram foi praticamente a mesma: de aproximadamente 18%.
Além disso, apontaram que, ao se fazer exames numa população ampla, sem triagem prévia, evita-se apenas uma morte para cada 1.055 homens examinados.

Campanhas como incentivo

O urologista Aguinaldo Nardi, do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida (organização que criou a campanha Novembro Azul), questionou os dados do estudo citado por D'Imperio.
Entre outras críticas, Nardi afirmou que uma parte dos pacientes, que não tiveram os níveis de PSA monitorados durante a pesquisa, havia feito outros exames para identificar o câncer de próstata.
Ele também rebateu críticas da Slow Medicine ao excesso de exames e às campanhas de conscientização. "Como médicos, nosso dever é informar a população", disse.
Segundo Nardi, campanhas como o Novembro Azul e o Outubro Rosa muitas vezes servem como incentivo para que a população tenha contato com um médico, o que pode levar à identificação de outros problemas de saúde.
Ainda de acordo com o urologista, no caso do câncer de próstata o maior problema não está na realização ou não de exames, mas no que está sendo feito com os pacientes que apresentam a doença.
Nardi afirmou que dos 69 mil casos de câncer de próstata detectados em 2015, 36 mil deveriam ser tratados em cirurgias feitas pelo SUS.

Paciente da Slow Medicine à mesaImage copyrightDIVULGAÇÃO
Image captionMoacir Mariscal deixou de lado exames de rotina que sempre tinham resultado normal

Mas apenas seis mil foram operados. Ou seja, segundo o urologista existem 30 mil pacientes "perdidos no limbo do sistema público de saúde".

Paciente Slow

Polêmicas à parte, as ideias da Slow Medicine vêm conquistando adeptos.
O bancário aposentado Moacir Mariscal, por exemplo, passou 20 de seus 65 anos monitorando um órgão cuja existência sequer notaria, não fosse a medicina moderna: a próstata.
A despeito do sobrepeso, fator de risco genérico que aumenta também as chances de desenvolver vários tipos de câncer, os níveis de PSA de Mariscal sempre estiveram dentro da normalidade.
Os exames periódicos, contudo, continuaram até que, em março, numa consulta com o geriatra Campos Velho e após confabularem sobre o assunto, médico e paciente, decidiram deixar a próstata em paz.
"Ele me disse que, com todos esses anos de resultados normais, não precisávamos mais fazer exame. E eu confiei na decisão dele", disse Mariscal.
O aposentado, que vê com bons olhos o movimento Slow e a Medicina sem Pressa, anda irritado com a boa e velha "medicina apressada".
Diante da dificuldade em marcar uma consulta com a dermatologista para checar uma mancha dolorida na perna - só havia horário para o fim de janeiro -, Mariscal resolveu buscar uma clínica particular de múltiplas especialidades, dessas que se apresentam como alternativa aos planos de saúde.
A consulta durou cinco minutos, com uma médica que mal o olhou nos olhos, lembrou Mariscal.
O resultado? Um pedido de exame.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Silêncio, choro e chuva de emoção: Brasil e mundo dão adeus a guerreiros





Ole, olé, ole, ole, Chape, Chape! Vamos, vamos, Chape! O campeão voltou! Silêncio e emoção. Assim foram recebidos os 50 corpos de vítimas do acidente aéreo que matou parte do elenco da Chapecoense e jornalistas brasileiros na Colômbia. Neste sábado (03), a Arena Condá lotou para homenagear a Chape.

Voltaram para casa, definiram todos por lá, os quais acompanharam a chegada dos corpos das vítimas de longe desde a saída da Colômbia, passando por Manaus e depois finalmente chegando ao aeroporto de Condá, onde receberam honras militares e foram recebidos pelo presidente da república Michel Temer. A "casa", a Arena Condá, foi o destino final.

A cerimônia foi encerrada com mensagens de jogadores de futebol de todo mundo. Neymar. Juninho Pernambucano, Marcelo Moreno, Mithyue (futsal), Leandro (Coritiba, ex- palmeiras), Everton (Grêmio), Edílson (Grêmio), Roberto Dinamite, Osvaldo (Flu), Neto, Leo (ex- santos), Keirrison e Ariel falaram.

Depois das mensagens, o encerramento da festa foi marcado por uma volta dos parentes e amigos das vítimas pelo gramado. Todos foram aplaudidos. Os corpos de 16 vítimas (integrantes da comissão técnica, jornalistas e dirigentes) serão enterrados em Chapecó e o restante das pessoas veladas na Arena seguirão para suas cidades de origem.
A torcida chegou ainda antes do amanhecer para aguardar a chegada dos corpos das vítimas para homenagem na Arena Condá e lotou o estádio assim que a Arena foi aberta mesmo sob muita chuva.



Mãe e mulher de Danilo são aplaudidas

domingo, 30 de outubro de 2016

PT perde as 7 disputas no 2º turno



O 2º turno consolidou uma eleição nada favorável ao PT. O partido perdeu em todas as cidades que disputava. Eram sete.

Em cinco delas, a expectativa já não era boa. Em Recife, por exemplo, a única capital em jogo, João Paulo (PT) acabou com 38,70%. Geraldo Julio (PSB), reeleito, terminou com 61,30%. Não foi surpresa. A disputa foi ao segundo turno por muito pouco. Com isso, o partido ganhou apenas uma capital neste ano (Rio Branco, no 1º turno).

 No ABC, as derrotas foram elásticas. Em Mauá, Donisete Braga (PT) ficou com 35,53% e, em Santo André, Carlos Grana (PT) acabou com 21,79%.
  
Em Vitória da Conquista (BA), Zé Raimundo (PT) também perdeu. O peemedebista Herzem Gusmão foi o escolhido pelos eleitores.

Em Juiz de Fora (MG), outra derrota petista para o PMDB. Margarida Salomão terminou com 42,13% dos votos. O vencedor foi Bruno Siqueira, que teve 57,87% no final.
   
Em Santa Maria (RS) e Anápolis (GO), as duas cidades onde os petistas haviam terminado o primeiro turno na frente, a derrota foi por pouco.
  
Em Santa Maria, a diferença foi de apenas 226 votos. Valdeci Oliveira (PT) saiu derrotado para Pozzobom (PSDB). Em Anápolis, João Gomes (PT) ficou com 48,77% dos votos válidos, contra 51,23% do eleito Roberto do Orion (PTB).

domingo, 23 de outubro de 2016

AVIÕES DO FORRÓ: Como funcionava esquema que teria desviado R$ 500 milhões em impostos e a vida de luxo

Fenômeno de audiência há quatro anos, a novela “Avenida Brasil”, da Rede Globo, apresentava alguns de seus melhores momentos quando Suelen, personagem da atriz Isis Valverde, entrava em cena com leggings e tops coloridos seduzindo os homens do Divino ao som de “Correndo atrás de mim”. A repetição dos versos-chiclete “Eu quero ver você correndo atrás de mim/ Eu quero ver você correndo atrás de mim/ Quando eu te procurei você nem ligou pra mim/ Agora eu quero ver você correndo atrás de mim” algumas vezes por semana no horário nobre da tevê transformou o grupo Aviões do Forró, que já tinha uma carreira de 10 anos no Nordeste, em sucesso nacional. Emendando um hit no outro, Solange Almeida e Xand Avião, vocalistas da banda, acumularam fortuna cantando desilusões amorosas em ritmo de “forró-pop”, numa contribuição questionável à cultura popular. Agora, uma investigação da Polícia Federal (PF) batizada de For All questiona também a contribuição do grupo para a Receita. Os policiais suspeitam que, ao lado de outras bandas ligadas à A3 Entretenimento, eles tenham sonegado cerca de R$ 500 milhões em impostos entre 2012 e 2014.
BLOQUEIO DE BENS
A operação deflagrada na terça-feira 18 apura ainda suspeitas de omissão de rendimentos e lavagem de dinheiro. Além do Aviões, outros três conjuntos de forró são acusados de realizar shows declarando apenas 20% do valor dos contratos. Ao todo, foram bloqueados 163 imóveis e 38 veículos, como Mercedes-Benz, BMWs e Land Rovers, e 32 pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos, inclusive Xand e Solange, que foram ouvidos e liberados. Procurados pela ISTOÉ, eles informaram, em nota, que estão “à disposição da Justiça”. Se mantiver a agenda, como divulgado, a banda embarca nesta semana para os Estados Unidos, onde tem shows marcados em Nova York, Boston e Miami. “Assim como o forró é para todos, os tributos são propriedade do povo brasileiro”, diz o auditor fiscal João Batista Barros, superintendente regional da Receita Federal. “Analisamos os aspectos exteriores de riqueza, como imóveis, atividades e consumo, e a compatibilidade com o apresentado nas declarações.”
VIDA DE LUXO
Vaidosos, “Solanja”, como é chamada pelos fãs, e Xand adoram as redes sociais, onde publicam fotos com o “look do dia”, em viagens e compras (ela vive nas lojas de grife do Shopping Iguatemi de Fortaleza). A cantora também se orgulha com as cantadas e elogios que recebe por causa do corpo 50 quilos mais magro, conquistado graças a uma cirurgia bariátrica feita há oito anos. Xand, que também é sócio de uma churrascaria, é apaixonado por carros esportivos – no ano passado, comprou em Recife um Porsche Cayman S, avaliado em R$ 399 mil. Dono de uma concessionária de automóveis em Fortaleza e amigo de Xand, um empresário que pediu para não ser identificado, disse que todos os carros do cantor são financiados e que ele nunca fez nenhuma transação com dinheiro em espécie. “O Xand é a pessoa mais idônea que pode existir”, afirma. “Não é ele que administra a banda, ele só canta.”
A delegada Doralucia Oliveira de Souza, que conduziu as investigações, discorda. “Os artistas são sócios, não são só empregados”, diz. “É muito complicado pensarmos que eles não tivessem consciência do que estava acontecendo ali.” No papel, os vocalistas dividem a propriedade do grupo com os empresários Carlos Aristides, Zequinha Aristides, Isaías Duarte e Claudio Melo. Recentemente, depois que Solange ameaçou seguir carreira solo, a cantora aumentou sua participação de 10% para 25% nos lucros, igualando o percentual de Xand, e os empresários ficaram com o restante.
O esquema descoberto pela PF funcionava através de contratos subfaturados de shows, eventos e vendas de CDs e DVDs. Os suspeitos combinavam o valor com o contratante, mas apenas de 20% a 50% do preço era pago pelas vias oficiais e declarado ao Fisco. O restante, de acordo com a investigação, era entregue em dinheiro vivo, pouco antes das apresentações. No caso do Aviões do Forró, os valores ficavam na casa dos R$ 160 mil – entre os demais grupos, como o Solteirões do Forró, o cachê começava em R$ 50 mil. Cada uma das bandas faz, em média, 200 shows por ano. Isso significa que só o Aviões faturava R$ 32 milhões anuais em shows. Como até 80% do valor era escamoteado, a sonegação pode ter ultrapassado os R$ 25 milhões. A polícia também suspeita que os envolvidos lavavam dinheiro comprando imóveis e declarando valores menores do que os reais, para depois revendê-los pelo preço de mercado. Além disso, promoviam intensa confusão patrimonial entre pessoas físicas e jurídicas para driblar a fiscalização. Se depender da “For All”, a farra acabou.

Morre aos 51 anos o apresentador Ênio Carlos, astro da TV cearense


Televisão Cearense de luto com a morte de Ênio Carlos aos 51 anos (Foto: Arquivo Pessoal)
QUEM DE NÓS AO LIGAR A TV DIARIO AS TARDES DOS DOMINGOS E NAO OUVIA O PROBRAMA ENIO CARLOS UMA ESPECIE DE SILVIO SANTOS DA TV CEARENSE. UM GRANDE APRESENTADOR E COMUNICADOR DA TV BRASILEIRA. ESTEVE NO AR DESDE 1998.
Morreu, na quinta-feira (20), o apresentador e radialista Ênio Carlos, de 51 anos. Um dos nomes mais queridos da TV cearense, Ênio enfrentava um tumor no cérebro. A TV Diário confirmou a morte do profissional em seu Twitter oficial.
A repercussão foi tamanha que a hasthag com o nome de Ênio ficou entre os dez assuntos mais comentados no Brasil via Twitter. Ele, que trabalhava há 18 anos na TV Diário e comandava o Programa Ênio Carlos, estava afastado desde fevereiro por conta da doença. O programa, um hit da telinha, contava com o quadro Glitter - Em Busca de um Sonho, um reality que trazia drag queens.
Após afastamento para tratar o câncer cerebral, a família do apresentador e radialista enviou um comunicado explicando a delicada situação de saúde dele. "Desde o final de fevereiro, ele foi diagnosticado com uma grave condição médica, tumor cerebral, caracterizando um tipo de CA. A equipe de médicos que o acompanha recomendou o seu afastamento para que o tratamento tivesse a eficácia necessária e, desde então, ele vem se tratando para que em breve retorne aos programas de rádio e TV. Agradecemos de coração a todos os fãs que manifestaram carinho e preocupação com o Ênio. Pedimos que todos orem pela restauração de sua saúde, pois nesse momento, a fé é o nosso alicerce", informou a família.
Casado, Ênio deixa três filhas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Judiciário fica mais caro e leva 1,3% do PIB; juiz custa R$ 46 mil/mês


  • Estátua simbolizando a Justiça em frente à sede do Supremo Tribunal Federal
  • Estátua simbolizando a Justiça em frente à sede do Supremo Tribunal Federal
A cada ano, o custo do Poder Judiciário vem aumentando para a população do país. Em 2015, cada brasileiro desembolsou R$ 387 para manter o Judiciário, 31% a mais que em 2009 (quando custava R$ 295 por habitante, com valores corrigidos pela inflação). O dado faz parte do relatório Justiça em Números, divulgado nesta segunda-feira (17) pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
"No ano de 2015, as despesas totais do Poder Judiciário somaram R$ 79,2 bilhões, o que representou um crescimento de 4,7% e, considerando o quinquênio 2011-2015, um crescimento médio na ordem de 3,8% ao ano. Essa despesa equivale a 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, ou a 2,6% dos gastos totais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios", aponta o estudo.



 89% gasto com pessoal
O grande consumidor do dinheiro do Judiciário é o pagamento de salários, auxílios e encargos. Os gastos com recursos humanos são responsáveis por 89% da despesa total. Em 2015, cada um dos 17.338 juízes custou, em média, R$ 46 mil aos cofres públicos por mês. Já cada servidor custou, em média, R$ 12 mil.
O custo seria bem maior caso o Judiciário ocupasse todas as vagas em aberto que existem. Segundo o CNJ, são 5.085 cargos vagos para juiz e 55.031, para servidores.
Além disso, há um grande índice de juízes afastados, que recebem salários, mas não prestaram serviços à sociedade. "Considerando a soma de todos os dias de afastamento, obtém-se uma média de 1.161 magistrados que permaneceram afastados da jurisdição durante todo o exercício de 2015, o que representaria um absenteísmo de 6,7%", explica, citando que os afastamentos podem ocorrer por licenças, convocações para instância superior, entre outros motivos.
Um caso recente que chamou a atenção foi a pena dada pelo CNJ de disponibilidade à juíza Clarice Maria de Andrade, que continuará recebendo vencimentos proporcionais.  A magistrada foi a responsável pela decisão de manter por 26 dias uma adolescente de 15 anos presa em uma cela masculina com cerca de 30 homens, na delegacia de polícia de Abaetetuba, no interior do Pará, em 2007.

Arrecadação recorde

Apesar da alta despesa do Judiciário, o Poder arrecadou como nunca em 2015. Ao todo foram R$ 44,7 bilhões, o que representou 56% das despesas da Justiça.
O valor arrecadado foi o maior desde 2009, quando o estudo começou a ser feito. A arrecadação do Judiciário é feita com a cobrança de custas, taxas e multas aplicadas.