quinta-feira, 22 de março de 2018

PIOR SITUAÇÃO DESDE 1900: Morre um dos mais populares mitos brasileiros: o da abundância de água

A desigualdade no Brasil se vê em distribuição de renda, gênero e raça. Mas se torna invisível quando se trata do recurso mais essencial, a água. Nenhum país é mais rico; possuímos 12,8% do volume da Terra. Mas a abundância concentra-se nos rios da Amazônia, região com 80% dos reservatórios e só 7% população. As áreas litorâneas, onde vivem 45% dos brasileiros, dispõem de menos de 3% dos recursos, mostra a Agência Nacional de Águas (ANA). Sob o mito da abundância, sepultado por especialistas, em 20 anos o volume de água retirado de nossos 12 mil rios aumentou 80%. A estimativa é que até 2030 cresça 30%. Mas não há, literalmente, clima para isso ocorrer. Nos últimos seis anos, a escassez predominou, com crises hídricas no Sudeste e a maior seca registrada desde 1900 no Nordeste.

No Brasil do século XXI, água abundante tem; mas acabou para a maioria. Entre 2013 e 2016, a seca deixou em situação de emergência 2.783 municípios brasileiros, ou metade das nossas cidades (84% no Nordeste). As vidas de 48 milhões de pessoas, praticamente um quarto dos brasileiros, foram afetadas, revela a “Conjuntura de Recursos Hídricos do Brasil 2017”, da ANA.

— O brasileiro crê no mito da disponibilidade ilimitada de água, que, na verdade, é mal distribuída e escassa onde há mais demanda. A seca só agrava uma crise que a degradação e o mau uso provocaram. Todas as nossas grandes cidades têm problemas. Transposições mirabolantes não farão milagre. Faltam planejamento e gestão. A água tem custo econômico, que ninguém quer pagar. Passou da hora de encarar a realidade — afirma José Galizia Tundisi, grande estudioso dos recursos hídricos do Brasil.

Nos últimos seis anos, o país registrou chuvas acima da média no Sul e abaixo em Sudeste, Nordeste, parte do Centro-Oeste e até na Amazônia. O desequilíbrio é condizente com um cenário de mudança climática permanente, que aponta, por exemplo, à desertificação de 50% do semiárido brasileiro nas próximas décadas.

— Há uma tendência muito preocupante de extremos climáticos, com chuva concentrada e seca prolongada. Isso é péssimo para a oferta de água — adverte Carlos Nobre, um dos mais respeitados climatologistas do país.

SOLUÇÃO NÃO ESTÁ SÓ NA ENGENHARIA

Para os cientistas, rogar aos céus por chuva não adianta, pois problema e solução estão na terra. A crise hídrica é um legado de décadas de uso e exploração descontrolados, como por exemplo pela agropecuária, que utiliza 78,3% dos 1.081,3 metros cúbicos de água por segundo consumidos no país e é responsável pelo lançamento de agrotóxicos em aquíferos.

— Temos uma agricultura que avançou em produção, mas ainda engatinha em uso da água — explica Marcos Freitas, coordenador do Instituto Internacional de Mudanças Globais (IVIG).

A crise também alimenta-se do saneamento rudimentar, já que apenas 44% dos brasileiros têm esgoto tratado. O desperdício de água — evidenciado em costumes como lavar a calçada, mas também nos 35% de perda com vazamentos nas redes de abastecimento — é outro fator importante a ser combatido.

— A água seria suficiente se não fosse desperdiçada e usada sem planejamento — diz Tundisi.

Para Anivaldo Miranda, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, “o Brasil continua na década de 20 do século passado no que diz respeito ao uso da água”:

— O país acha que solução para escassez é fazer obras caras de engenharia. Se formos resolver todos os problemas com transposições, daqui a pouco estaremos buscando água na Amazônia, e sem resolver a crise hídrica.

Para ajudar o Brasil a fazer a travessia deste século da escassez, o GLOBO percorreu 4 mil quilômetros de Rio, Bahia, Pernambuco, Goiás e Distrito Federal e inicia hoje, Dia Mundial da Água, uma série especial sobre a crise hídrica. Até o domingo, na edição impressa e em ambiente especial no site, que contará com conteúdos ampliados e exclusivos, reportagens vão explorar causas e consequências da destruição ambiental, da utilização desregulada dos recursos naturais e do descaso com saneamento, e discutir soluções.


sábado, 17 de março de 2018

Violência contra vereadores e prefeitos resulta em pelo menos 40 mortes por assassinato desde 2017

A violência contra vereadores, ex-vereadores, prefeitos e ex-prefeitos resultou em pelo menos 40 mortes no Brasil na atual legislatura, segundo registros em reportagens do G1 publicadas entre 2017 e 2018 .

Dos 40 casos, em dois há características de execução por motivação política: o de Francisco Vicente de Souza, prefeito de Candeias do Jamari (RO), e o de Jucely Alves Arrais, vereadora de Aiuaba (CE).

No primeiro, entre os réus condenados está o mandante do crime. O Ministério Público o acusou de planejar a morte do prefeito por ter ficado contrariado com uma decisão administrativa. O mandante, segundo o MP, foi financiador da campanha do prefeito. No de Jucely, o cunhado dela havia sido assassinado meses antes do crime. Dois meses depois do assassinato da vereadora, o marido dela foi morto.

Em outros nove, a possibilidade de crime político é considerada pela polícia. Outros dez casos são relacionados a brigas por motivações diversas, como brigas por dinheiro e desentendimentos pessoais.

Nesta semana, a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi assassinada a tiros no Rio de Janeiro. Ela foi a 40ª vítima (veja lista com todos os casos ao final desta reportagem).

Além desses 40, o G1 também registrou no período os assassinatos de dois suplentes de vereador (Roberto da Conceição Margarido, de Itatiaia-RJ, e Ueliton Brizon, de Cacoal-RO) e um ex-vice-prefeito (José Roberto Soares Vieira, de Ourolândia-BA).

A morte de Marielle levou milhares de pessoas às ruas em todo o país em protestos contra o assassinato e a onda de violência na cidade. O Ministério Público avalia pedir a federalização das investigações. O governo federal diz que concentrará "todos os esforços" para identificar e prender os assassinos.

O PSOL, partido ao qual Marielle Franco era filiada, informou ter registrado, desde 2016, 24 mortes de pessoas ligadas a movimentos sociais (quilombolas, indígenas, sindicalistas, MST, etc.) em razão das atividades políticas desenvolvidas por elas.

Em 2016, somente no período eleitoral, a violência contra candidatos atingiu pelo menos 17 estados e levou a 28 mortes. À época, 25 mil militares das Forças Armadas foram destacados para fazer a segurança das eleições, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu à Polícia Federal queinvestigasse os crimes.


Em 2016, somente no período eleitoral, a violência contra candidatos atingiu pelo menos 17 estados e levou a 28 mortes. À época, 25 mil militares das Forças Armadas foram destacados para fazer a segurança das eleições, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu à Polícia Federal queinvestigasse os crimes.


Crime 'mais estruturado'

Pesquisador do Grupo de Violência e Cidadania da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o doutor em sociologia Francisco Amorim afirmou ao G1 que assassinatos de políticos e de lideranças de movimentos sociais ocorrem com maior frequência em locais onde o crime organizado "está mais estruturado" e tenta impor as próprias regras.

"Essas execuções acontecem em momentos em que há uma disputa pelo controle social da população de modo mais amplo, quando se tenta intimidar não só o adversário, grupo rival ou polícia, mas também a sociedade. É a tentativa de impor uma regra paralela tão ou mais poderosa do que a regra legal", afirmou.

Amorim lembrou, ainda, que Colômbia e México registram ondas de execuções de políticos e jornalistas, ligadas ao tráfico de drogas.

"Não é só marcar território, intimidar ou silenciar uma voz, é dar um recado para toda a sociedade de que a regra paralela é mais forte", disse.

O pesquisador destacou que, muitas vezes, as ações passam por relações de organizações criminosas que contam com integrantes que estão em instituições legais.

"As execuções podem ser realizadas não só por gente completamente na ilegalidade, como traficantes, mas por pessoas que operam no mundo legal e cometem ilegalidades", ponderou.

'Déficit civilizatório'

Após a morte de Marielle Franco, o presidente do TSE, Luiz Fux, avaliou que o assassinato demonstra o "déficit civilizatório".

"Ficamos chocados com essa notícia, que no mundo de hoje se tente calar a voz política através de uma atitude que demonstra baixíssimo déficit civilizatório nesse campo. Manifestar solidariedade aos familiares e amigos que nesse momento passam intensa dor. Peço licença para enviar a todas as pessoas que lutaram por um Brasil melhor, sem desigualdades e mais justo, nosso abraço sentido e sofrido", afirmou o ministro.

Mortes de políticos

Veja a lista dos políticos municipais assassinados desde o ano passado, segundo registros em reportagens do G1:

2017

Marcos Santos Rocha, ex-prefeito de Pau Brasil (BA) Alexandro Pereira da Silva, vereador de Santa Helena de Minas (MG)Marcos Fernandes, ex-prefeito de Umarizal (RN)Francisco Vicente de Souza, prefeito Candeias do Jamari (RO)Claudeir dos Santos, ex-vereador de Poço Redondo (SE)Élpido da Silva Meira, ex-vereador de Colniza (MT)Antônio Marcos dos Santos, vereador de Santo Antônio do Monte (MG)Paulo Chaves Marinho, vereador de Rio Maria (PA)Diego Kolling, prefeito de Breu Branco (PA)Nilson Pereira de Toledo Filho, ex-vereador de Borda da Mata (MG)Jones William, prefeito de Tucuruí (PA)Manoel Francisco Soares Almeida , vereador em Pau d'Arco (PA)Adelmo Rodrigues de Melo, vereador em Batalha (AL)Fabiano de Freitas Figueiredo, vereador de Guará (SP)Tony Pretinho, vereador em Batalha (AL)Antônio José Denadai, ex-vereador de Vitória (ES)Esvandir Antônio Mendes, prefeito de Colniza (MT)Manoel Mariano de Sousa, ex-prefeito de Barra do Corda (MA)Kedson Rodrigues, vereador de Governador Nunes Freire (MA)Jailton Martins de Carvalho, vereador de Carira (SE)Wilson Portilho da Cunha, vereador licenciado de Goianésia (GO)Jucely Alves Arrais, vereadora de Aiuaba (CE)Cristóvão Silveira, ex-vereador de Campo Grande (MS)Ademir Carlos Patel, vereador de Brunópolis (SC)José Roberto Cavalcante, vereador de Tomé-Açú (PA)Nerivan de Oliveira Silva, vereador de Craíbas (AL)Miguel Sampaio Soares, vereador de Anajatuba (MA)Erialdo Araújo Feitosa, ex-verador de Juazeiro do Norte (CE)Eliseu de Souza Leal, ex-vereador de Santa Maria do Oeste (PR)Edilson Ferreira dos Santos, ex-vereador de São Miguel do Tocantins (TO)Neuri Carlos Persch, ex-prefeito de Ministro Andreazza (RO)Luiz Carlos Machado, ex-prefeito de Porto Alegre do Norte (MT)José Paulo da Silva, ex-prefeito de Mogeiro (PB)

2018

Adriano Ribeiro dos Santos, ex-vereador de Erechim (RS)Aldair Silva Andrade, ex-vereador de Porto Seguro (BA)Jorge Cunha, vereador de Apicum-Açu (MA)Everaldo Batista, ex-vereador de Parintins (AM)Elton Alexandre de Aguiar Matta, vereador de Barra do Jacaré (PR)Miguel Calixto, vereador de Barra do Jacaré (PR)Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro (RJ)


INVESTIGAÇÃO Maioria das balas usadas pelo crime é fabricada no Brasil e tem uso restrito

Munições como as que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes – balas de calibre 9 milímetros da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) – são o retrato do que está nas mãos de criminosos no Rio: produzidas no Brasil e de uso restrito.

Estudo do Instituto Sou da Paz sobre apreensões das polícias fluminenses de 2014 a 2017 mostrou que 27,4% eram de 9 mm e, no ano passado, 70% das munições eram consideradas de uso exclusivo de forças de segurança, como a Polícia Federal e as Forças Armadas. 

Ontem, o Instituto voltou a reforçar a importância da melhoria de mecanismos que permitam a rastreabilidade da munição para contribuição a investigações criminais. Gerente da área de Sistemas de Justiça do Sou da Paz, Bruno Langeani lembrou que a obrigatoriedade de marcação dos lotes nos estojos adquiridos por forças de segurança pública foi firmada pelo Estatuto do Desarmamento, promulgado em 2003. “O que foi obtido com o estatuto foi um avanço brutal porque antes havia uma resistência”, disse.

Esse tipo de rastreio já havia sido usado, por exemplo, para obter provas contra os policiais que acabaram condenados no caso da juíza Patrícia Acioli, morta em agosto de 2011.

Os três calibres que aparecem em maiores volumes na análise das apreensões no Rio foram 9 milímetros (calibre restrito de pistolas e submetralhadoras), 7,62mm (calibre restrito encontrado principalmente em fuzis) e calibre .38 (calibre permitido predominante em revólveres). 

Na soma dos quatro anos em que as apreensões foram analisadas, o predomínio das munições restritas sobre as de calibre permitido para compra por civil autorizado, por exemplo, é 64% ante 36%. 

Nacional. Nos números de 2014, único ano em que foi possível observar a marca do material, notou-se que 42% das apreensões se referiam a balas da CBC, em 28% não podia ser identificado e em 7% dos casos vinha do México ou Estados Unidos. 

No total, as polícias tiraram de circulação no período 548.777 munições, o equivalente a 430 balas por dia ou uma para cada 30 habitantes do Estado. 

“Enquanto todos ficam falando que (a munição) vem do Paraguai, notamos um elo importante entre o mercado legal e ilegal dentro do País. E, em um momento que a intervenção é liderada por um general, é importante lembrar que a atribuição primeira de fiscalização de armas e munições no País é do Exército”, disse Langeani.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, a informação sobre o lote da munição no caso Marielle deve ser tratada com cuidado. “Ter acesso à munição no Brasil é ilegal, então ela só pode ter vindo de um clube de tiro ou das polícias. O dado por si só não é conclusivo e necessita de mais apuração. O crime vai tentar conseguir munições que um dia foram legais e essa não é uma área extremamente controlada, como deveria ser.”


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

XAROPE AMARGO

Cresci na vida, e feliz por não me esquecer do passado. Tanto que, nesses tempos chamados modernos houve diferenças substanciais no comportamento humano.
Remédios e fortificantes, hoje, não têm mais gosto e cheiro ruim, e as temíveis injeções de Eucaliptine anticatarral, a base de óleo de eucalipto, e Linfogex anti-infeccioso doem muito menos do que o sofrimento decorrente da exploração do homem pelo homem, e a violência criminosa contra inocentes.
Como se denominar de “mundo moderno” quando a violência incontida e selvagem mata covardemente, destruindo famílias em proveito de nada?
Antigamente o homem lutava pela prevalência de um ideal de vida daí a diversidade da burguesia, capitalismo e o marxismo. Hoje a violência não se escora em qualquer ideologia ou credo, nem justificativa para tal.
Mata-se a sangue frio, sem por motivo fútil, metralhando quem aparecer pela frente. Sejam pobres, ricos, de qualquer cor, religião ou ideologias, assassinados fria e premeditadamente na fome insaciável e encolerizada do prazer de matar por matar!
E por que essa hecatombe vem acontecendo nos dias atuais?
Pela facilidade na aquisição, por vias legais ou ilegais, de modernas armas letais, criminosamente omitidas pelos poderes públicos, tradicionais parceiros do poderio econômico-financeiro das indústrias bélicas mundiais. Qualquer pessoa compra, facilmente, o tipo de arma desejada ceifando vidas indefesas.
De nada adiantará restrições legais às pessoas, algumas se escudando passar por loucos, sem haver limites rígidos à fabricação acelerada e descontrolada de temíveis armas de fogo.
Este, o xarope amargo que todos nós temos que tomar goela à dentro, sem pestanejar ou fazer careta. Até porque, o vírus da doença, matar por matar, pode levar qualquer um ser a próxima vítima, sem xarope amargo que cure a criminosa falta de segurança dos dias atuais.

MAPA DA VIOLÊNCIA - BRASIL VIVE UMA GUERRA CIVIL... MUNICÍPIOS EM GUERRA CIVIL... UMA TEMPESTADE DE VIOLÊNCIA... UM BANHO DE SANGUE...NO RASTRO DOS DESGOVERNOS E DA CORRUPÇÃO REINANTES NO BRASIL NÃO PODERIA SER DIFERENTE! E O MOSQUITO MATANDO POR FORA...



COM TANTA VIOLÊNCIA E HOMICÍDIOS - TANTO SANGUE DERRAMADO - FRUTO DOS DESGOVERNOS CORRUPTOS DO BRASIL - A COR VERMELHA DO SANGUE PODERIA SER ACRESCENTADA NA BANDEIRA NACIONAL: A publicação do Mapa da Violência do ano de 2017 - Pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) - mostra que o Estado brasileiro está falido, não garantindo aos brasileiros o mínimo que o Poder Público deve garantir para justificar sua existência: SEGURANÇA PÚBLICA E O DIREITO À VIDA. Os números do mapa da Violência são assustadores com o crescimento vertiginoso de tanta violência, tantos homicídios. Sem falar na violência no trânsito e na violência que não mata, mas deixa sequelas. Os dados da violência ocorrem a partir dos homicídios em cada Estado da Federação. Enquanto os Municípios estudados, todos têm acima de 100.000 habitantes. É POSSÍVEL IMAGINAR O BRASIL COMO UM CORPO DEVORADO PELAS TRAÇAS DA CORRUPÇÃO QUE AO SE OLHAR NO ESPELHO ENXERGA O OUTRO LADO DESSA TRAGÉDIA - A VIOLÊNCIA DESMEDIDA - A BANALIZAÇÃO DO MAL E DA MORTE DA FORMA MAIS CRUEL POSSÍVEL. NUM MAR DE SANGUE. Havendo uma relação direta de causa e efeito entre os desgovernos, que agem para piorar e esse mar de sangue, numa tempestade balas. Os políticos, eleitos para governarem, poderiam ser acusados por omissão... MAS OMISSÃO É NÃO AGIR... NO CASO ELES AGEM E AGEM PARA PIORAR... QUANDO NÃO SÃO OS PRÓPRIOS AGENTES QUE PRATICAM TODO TIPO DE VIOLÊNCIA...


O QUE É MESMO VIOLÊNCIA? CONCEITUANDO VIOLÊNCIA: Violência é palavra que vem do Latim. Significa força... vigor... ímpeto... transgredir... diz respeito à força impulsiva... vigorosa... brutal... que não respeita regras, nem convenções. O MAPA DA VIOLÊNCIA poderia ter o seu significado traduzido como: O MAPA DA FORÇA BRUTAL DE PESSOAS , QUE REGISTRA VIOLÊNCIA DE PESSOAS CONTRA PESSOAS OU DE GRUPO DE PESSOAS CONTRA PESSOAS OU GRUPO DE PESSOAS NO BRASIL - CAUSADORES DA MORTE. SEM RESPEITAR LEIS, CONVENÇÕES, OS MÍNIMOS VALORES CIVILIZATÓRIOS. O mais grave e o mais triste é a interiorização da violência. Outrora as cidades do interior se contrapunham aos grandes centros urbanos, sobretudo às capitais, como locais pacíficos, tranquilos, onde havia mais respeito pela integridade física das pessoas. A situação da violência, não apenas piorou nas grandes cidades, com explodiu também para as pequenas cidades. NIVELANDO O BRASIL INTEIRO COMO PALCO DE TODA FORMA DE VIOLÊNCIA DESMEDIDA, TANTO EM QUANTIDADE, COMO NA CRUELDADE E NA CAUSAS FÚTEIS, COMO SE PRATICA A VIOLÊNCIA. QUANDO O CORRETO, SE EXISTISSE POLÍTICA DE SEGURANÇA SÉRIA, SERIA NIVELAR OS LUGARES VIOLENTOS COM OS LUGRES ANTES PACÍFICOS, NIVELANDO-SE PELA PAZ. Certos paradoxos, EM MEIO A ESTE INFERNO, são até constatados, como por exemplo:

a) Assaltantes praticarem roubos contra vigias, objetivando tomar suas armas;
b) Policias serem caçados por facções, chegando ao ponto de viaturas hesitarem sair às ruas;
c) Facções tomando conta dos presídios e a guerra de facções;
d) O tráfico de drogas invadir o interior e consigo levando facções e conflitos;
e) Governos fazerem acordos rendendo-se às facções a perspectiva de piora;
f) Facções tomares de conta de escolas e dos presídios;
g) A esperança não é que melhore, mas que não piore;
h) O império do medo em todas as cidades, o império do terro;
i) Na política o império da corrupção, a morte lenta da esperança;
j) Governos investindo na repressão, não na prevenção da violência. Uma guerra civil.


OS DADOS ESTATÍSTICOS DO MAPA DA VIOLÊNCIA 2017 SÃO ASSUSTADORES - Os números da violência em todo o Brasil, que resultam em homicídios dão à certeza, que nos dias atuais, quem sai de casa, para uma simples caminhada, para o trabalho, para o cinema... não sabe se voltará vivo para casa. Eis 10 dados estarrecedores:

1 - No ano de 2015, houve 59.080 homicídios, Cerca de 11.000 homicídios a mais que no ano de 2005;

2- Os 557 municípios mais violentos do Brasil são palcos de cerca de 76,5% das mortes, isto é, aproximadamente, para cada 04 assassinatos, 03 ocorrem nestes 557 Municípios, do total de 5.570 municípios brasileiros;

3) Nas regiões Norte e Nordeste ocorreu o maior aumento dos dados de homicídios, no caso do Rio Grande do Norte, o crescimento de homicídios ultrapassou 230% quando se comparam os dados de 2005 com os dados da violência em 2015;

4) 92% dos assassinados são homens, jovens, pele negra ou parda, a maioria com idade entre 15 e 29 anos. Em idade ativa. UM GENOCÍDIO;

5) No caso do Ceará, em 2005, matou-se para cada 100 mil habitantes, 21 pessoas. Totalizando 1.699 vítimas. Já em 2015, o número sofreu um aumento de 122%, ou seja, matou-se cerca de 47 pessoas para cada 100 mil habitantes. Totalizando em 2015 4.163 vitimas Então basta verificar quem foram os governadores nesse período para ficar claro a incompetência de todos eles quanto à política de segurança pública;





6) O Estado do Ceará não tem nenhum dos seus municípios entre os 30 Municípios, com mais de 100 mil habitantes, mais pacíficos do Brasil. DOUTRA FEITA, entre os 30 municípios mais violentos do Brasil, com população superior a 100 mil habitantes, o Ceará consta na lista com 03 Municípios: Maracanaú, Fortaleza e Caucaia;

7) No ano de 2005, 3.887 mulheres foram assassinados no Brasil. Em 2015 o número de mulheres mortas subiu para 4.621 mulheres mortas em todo o país. Um crescimento de 18,9%, o que bem mostra o fracasso da Lei Maria da Penha, pois até o presente não se priorizou o combate à violência contra mulher de forma preventiva. Fundamental lembrar que o número de homicídios de homens e mulheres no Brasil, em 2015, foi de 59.080 vítimas. De onde se deduzindo 4.621 mulheres mortas, tem-se que 54.459 vítimas foram homens, ou seja, para cada mulher morta, mataram-se 11 homens. UM GENOCÍDIO;

8) No Estado do Ceará, no ano de 2005, 143 mulheres foram assassinadas. No ano de 2015, o número de vítimas subiu para 254 mulheres. Um aumento de 77,6%. O que demonstra que a Lei Maria da Penha fracassou ate mesmo na terra natal da maria da Penha. Tudo por não haver uma política da Estado voltada para prevenção da violência contra mulher. Sequer o Poder Público consegue realizar campanhas educativas envolvendo escolas, mídia e sociedade civil organizada;

9) Em 2015, os 05 Estados da Federação, em que mais se mataram mulheres: Roraima, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Espírito Santo;

10) As armas de fogo são as mais utilizadas para prática de homicídios. No ano de 2015, O total de vítimas por armas de fogo chegou a 41.817 homicídios. Isto é, cerca de 72% do total de pessoas assassinadas foram vítimas de armas de fogo. enquanto isso, na Europa, apenas 21% do total de vítimas são mortas por armas de fogo. Abaixo, um verdadeiro mapa do resumo da tragédia social e da falência do Poder Público devorado pela corrupção:



domingo, 17 de dezembro de 2017

Com extras, 71% dos juízes do país recebem acima do teto de R$ 33 mil

Nos Tribunais de Justiça, penduricalhos representam um terço da renda, aponta levantamento do jornal carioca O Globo.
Da redação, O Globo, 17 de dezembro de 2017



Folhas de pagamento entregues este mês ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por tribunais de todo o país mostram que, ao menos nas cortes estaduais, receber remunerações superiores ao teto constitucional é regra, não exceção. Levantamento do Núcleo de Dados do GLOBO, com base nas informações salariais divulgadas pela primeira vez pelo CNJ, aponta que, nos últimos meses, 71,4% dos magistrados dos Tribunais de Justiça (TJs) dos 26 estados e do Distrito Federal somaram rendimentos superiores aos R$ 33.763 pagos aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — valor estabelecido como máximo pela Constituição.

Dos mais de 16 mil juízes e desembargadores dos TJs, 11,6 mil ultrapassaram o teto. A remuneração média desse grupo de magistrados foi de R$ 42,5 mil. Nessa conta, auxílios, gratificações e pagamentos retroativos têm peso significativo e chegam a representar um terço do rendimento mensal — cálculo que só pôde ser feito a partir da exigência do CNJ de receber as folhas completas num único padrão. No levantamento, O GLOBO desconsiderou os benefícios a que todos os servidores dos Três Poderes têm direito: férias, abono permanência e 13º salário. Em alguns estados, foi usada como referência a folha de novembro; em outros, a de outubro ou setembro, dependendo da que foi divulgada.

NOTA DO BLOG: Será que eles vao devolver aos cofres públicos o que passou do teto? Vale salientar uns marajás desses, num pais em que falta saude, seguranca, educação, e tudo o mais.


domingo, 5 de novembro de 2017

A escrava Luislinda



Ninguém sabia até algumas horas atrás quem era essa Luislinda Valois, ministra dos Direitos Humanos – sim, acredite ou não, existe tal emprego no Brasil Para Todos: “ministro dos Direitos Humanos”, com direito a carro chapa branca e todas aquelas outras cerejas no bolo que você conhece tão bem. Luislinda, em condições normais, seria mais um caso de alta autoridade que faz a costumeira viagem do anonimato para o anonimato. Mas a ministra resolveu aparecer – e armou um desastre que, a partir de agora, se transforma na história da sua vida. “Luislinda?”, vão dizer no futuro os que ainda se lembrarem do caso. “É aquela que queria ganhar 60.000 reais por mês, porque acha que os 33.000 e tantos que está ganhando são tão pouco que caracterizam trabalho escravo.”
A ministra queria somar o seu salário de desembargadora na Bahia aos vencimentos que tem à frente o ministério. Não pode, embora seja praticado abertamente de norte a sul em nosso Brasil brasileiro por um monte de gente que manda mais do que ela. Mas há certas coisas que não dá para fazer nem em Brasília. Dizer-se vítima de “trabalho escravo” ganhando mais de 30.000 reais por mês, e pedir que o erário público lhe pague o dobro do que já está pagando, é uma delas.
Não deu certo. Todo o mundo ficou sabendo, porque foi publicado na imprensa, e Luislinda teve de desistir subitamente do requerimento que havia feito. Porque desistiu, se achava que tinha razão? Afinal, ela foi capaz de escrever uma petição com mais de 200 páginas exigindo os seus 60.000. É coisa muito pensada, que levou tempo e deu trabalho para fazer – só de pensar na obrigação de ler um negócio desses a pessoa já fica exausta. Se considerava a si mesma tão cheia de razão, tinha de insistir no seu pedido – no mínimo, para não incentivar essa turma que, segundo a pregação corrente na praça, quer abolir a abolição da escravatura. Mais: se o governo não iria atender ao seu grito de revolta, ela teria, pelo menos, de pedir demissão do cargo.
Que esperança. Luislinda continua lá, com salário de escrava e tudo, porque no fim das contas é isso o que lhe interessa: ficar. É a atitude clássica do mandarim brasileiro. Se faz alguma coisa escondido e ninguém percebe, beleza. Se ficarem sabendo e der confusão, Suas Excelências caem fora.
O ministério ocupado por Luislinda, em si, já é uma trapaça gigante. Direitos Humanos? Como, num governo que gasta mais de 1 trilhão de reais por ano, não há ninguém para cuidar disso? Precisa de ainda mais gente? É engraçado: quando mais imprestável é alguma coisa no serviço público, maior é a tendência de seus responsáveis se meterem em casos assim. A ministra só é diferente numa coisa, apenas uma, da manada de promotores, procuradores, juízes, desembargadores (ela tem esse cargo, aliás), ministros dos tribunais regionais, superiores e supremos, marajás variados, etc.: quase todos eles violam sem o menor constrangimento a lei do teto salarial e saem ganhando sempre. Luislinda, no fundo, é apenas mais uma prova, agora apresentada de uma forma francamente patética, do mundo de demência em que vivem os altos funcionários deste país. Passam a acreditar, com empenho fanático, que a realidade é aquela que vivem, e que o pagador de impostos tem a obrigação de prover o bem estar que decidem ser indispensável para si próprios. A psiquiatria chama isso de “desordem delusional” – o conjunto de alucinações e crenças psicóticas através das quais o indivíduo nega a realidade ao seu redor e constrói um universo artificial onde tudo existe em função de seu interesse pessoal. É um distúrbio ilusório grave. Parece que não tem cura.