terça-feira, 8 de agosto de 2017

PALAVRAS DE QUEM ENTENDE DE ECONOMIA

De Armínio Fraga que presidiu o Banco Central de 1999 a 2002, no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e está decepcionado com Aecio Neves, com o PSDB e com o Brasil velho do PT, PMDB, e outros.

Para ele, a eventual volta de Lula ao Palácio do Planalto representa um risco para a economia do país. “Se Lula for candidato, vai voltar ao mesmo padrão de mentiras e promessas de antes. Ele declarou outro dia que nunca o Brasil precisou tanto do PT quanto hoje. Para quê? Para quebrar de novo? Para enriquecer todos esses que estão aí mamando há tanto tempo? Acho que a campanha vai ser de baixíssimo nível”, declara.

Segundo o ex-presidente do Banco Central, o Brasil se aproxima da “falência generalizada”. “Se a discussão não for boa, quem vier depois não terá legitimidade para tomar as medidas necessárias. Fica a ideia de que o Brasil tem apenas duas opções: ser feliz, ou tomar medidas amargas. Isso dificulta a solução da falência generalizada que se aproxima.”

domingo, 6 de agosto de 2017

NUMA ÉPOCA EM QUE MUITOS BRASILEIROS PENSAM EM SAIR DO BRASIL VAMOS VER PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DE OUTROS PAISES

SAINDO DO BRASIL
Andei lendo sobre vocês, e estou com projetos de ir embora do Brasil.
Eu recomendaria Canadá ou Australia ... sempre recomendo esses dois lugares

CANADA
– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Segurança é fundamental, qualidade de vida em geral é muito melhor que no Brasil. Não podemos comparar o sistema de saúde, pois tudo é público, e tínhamos um bom seguro saúde no Brasil, não posso comparar o Albert Einstein de São Paulo e o que temos aqui. Tivemos mais problemas na Inglaterra do que nos USA e aqui estamos somente no começo, vamos dar tempo ao tempo.
Além disso, aqui não existe a Lei de Gerson, que incomodava demais no Brasil.
O grande ponto negativo é o Inverno. Nada para comparar, apenas na Russia ou Finlandia!

AUSTRALIA
– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivos: segurança, saúde, educação, transporte público e coisas assim.
Negativos: não é Brasil, faz muito frio e não tem praia.

Positivos:
– poder caminhar pelas ruas ou correr em um parque, seja a hora que for, sem medo da violência
– poder sair pra balada ou pro pub sabendo que não vai voltar fedendo a cigarro no fim da noite (é proibido fumar em locais fechados)
– poder usar as ciclovias ou andar nas ruas de bicicleta e ser respeitado como um veículo normal
– baixo uso da buzina no trânsito
– preço dos carros é muito bom
– estar a 30 minutos das praias do norte e a 6 horas da neve
– estar a 15 minutos da Darling Harbour, Opera House e Botanic Gardens
– poder voar para Queensland por $140, ida e volta
– estar pertinho de Fiji, Bali, Tailândia e Indonésia
– pagar impostos sabendo que os serviços públicos funcionam
– pagar pedágio e andar em boas estradas
– ter várias opções de comidas perto de casa
– fish and chips 🙂
– váaaaaaarias marcas e tipos de cerveja
– poder ficar tranquilo com o laptop aberto ou o ipod na mão sentado no trem ou no ônibus
– andar em ruas e calçadas limpas
– poder contar com o transporte público
– poder usar o trem e evitar o trânsito na hora do rush
– ritmo de trabalho “relaxed”, no estilo “no worries” 🙂
Negativos:
– impossível comer em um restaurante bom após as 21h
– impossível sair pra fazer comprar ou pra passear num shopping depois do trabalho (lojas fecham as 17h)
– não ter trens para as praias do norte
– estacionamento é caríssimo
– difícil encontrar estacionamento não-pago na rua
– preço das bebidas nas baladas boas é um absurdo de caro
– preço dos imóveis é irreal (para compra)
– preguiça dos australianos no trabalho (se tu dependes de algum pra fazer o teu trabalho, boa sorte, meu amigo)
– pizza boa é raridade (pizza hut e dominos é um lixo)
– não tem nescau
– legumes e frutas são caros
– carne vermelha é cara no supermercado (a dica é comprar nos açougues asiáticos)
– não é permitido beber na praia (seria isso um ponto negativo?)

FINLANDIA

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Negativos: Acho que os finlandeses são muito cabeça fechada em alguns aspectos e o transporte publico para depois das 1.30 da manha durante a semana.
Positivos: O pais eh desenvolvido apesar de pequeno, e extremamente limpo, as pessoas respeitam a sua individualidade e os Finlandeses são extremamente honestos e leais com tudo, alem de excelentes amigos.

CHILE
– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivos: A vista para as cordilheiras é maravilhosa; segurança – o nível de violência é muito menor, muito difícil ouvir falar de assalto a mão armada por exemplo; a simpatia do povo chileno para com os brasileiros; os preços das coisas em geral; tem muita sorveteria, são boas e baratas; as estradas são ótimas (as pistas pelo menos); o pedestre tem prioridade e isso é respeitado; ter uma estação de eski a menos de 40 km de casa.
Negativos: O motorista chileno é mal educado (menos com pedestres) e nunca dá passagem pra outro carro, para em qualquer lugar, dirige como se existisse só ele no transito; o quesito serviço é bem ruinzinho no geral, por exemplo, em lojas e restaurantes o pessoal não atende com eficiência (podem ser simpáticos, mas não são muito treinados e podem demorar séculos pra atender); antes de fazer um pedido num restaurante ou comprar um produto numa loja é bom perguntar se tem o que você quer, sempre falta alguma coisa, nem tudo que está no menu eles tem, meu marido fica louco com isso.

ESTADOS UNIDOS
Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
– Positivos: qualquer profissao eh valorizada. Se voce se educa as portas se abrem. A justica tem um papel muito importante, eh muito firme, gosto do sistema judiciario. Aqui voce nao sai de casa para caminhar a noite morrendo de medo de ser assaltado.
– Negativo: estao exportando muito trabalho de manufatura para India e China. Isso ja esta pesando na economia.

Os positivos seriam a seguranca. Como mulher me sinto mais segura aqui. Nao temos pivetes na rua, mas temos que seguir as regras e leis do pais

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Tem uma frase do Tom Jobim que descreve perfeitamente o meu sentimento ambíguo em relação à vida aqui: “Viver nos Estados Unidos é bom, mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda, mas é bom.” Aqui tudo funciona, tem bons empregos, pagam bem, o pessoal valoriza seu trabalho, as ruas são limpas, não existe violência, o custo de vida é mais baixo, os produtos são mais baratos… mas falta o calor humano do brasileiro, as paisagens lindas do nosso país. E isso, já dizia Mastercard: Não tem preço. E no Brasil tem o grande problema da violência, da pobreza. Ninguém valoriza seu trabalho, ninguém quer pagar o que você merece. Você vive com medo de ser assaltado, não pode sair pra andar de bicicleta ou iPod. Não pode usar relógio em ônibus. Não há liberdade nesse sentido. É por isso que estou aqui. Não queria passar os anos mais produtivos da minha vida, num país onde eu tinha poucas oportunidades de crescer. Aqui já tive tanta oportunidade que nem acredito. Estudei numa universidade que me deixava de queixo caído diariamente, e tudo de graça. Fui apresentar meu trabalho em congressos na Dinamarca, Itália, China… E quando fui apresentar o mesmo trabalho no Brasil, o pessoal nem sequer entendia o valor da minha pesquisa. A mentalidade do brasileiro ainda não está focada na inovação e no crescimento. É uma pena pois tem tanta gente criativa e capaz nesse país. Mas eu continuo acreditando no Brasil e principalmente nos brasileiros.

INGLATERRA

Pontos positivos: a facilidade para viajar pra outros países da Europa, o acesso gratuito a museus e galerias de arte, a diversidade cultural, e a oportunidade de conviver com pessoas do mundo todo. Sem falar na segurança, estabilidade financeira, educação e organização.
Pontos negativos: com certeza o clima, até o britânicos reclamam! Não é tanto pelo frio, já que comparado com outros paises o frio é bem ameno. Mas a chuva constante, o céu quase sempre nublado e os dias muito curtos atrapalham muito a vida das pessoas. Até existe um fenômeno aqui que eu nunca tinha ouvido falar antes -SAD (Seasonal Affective Disorder)- que é justamente um tipo de depressão que afeta as pessoas no inverno justamente pela falta de luz. Isso é realidade no Reino Unido e todos os anos se fala muito disso nessa época do inverno. Além disso, o alto custo de vida tambem é um ponto extremamente negativo aqui.

NOVA ZELANDIA

Positivos:
– Segurança: poder sair na rua com a camera na mão e ouvindo iPod, morar em casa sem grades em vez de apartamento, andar à noite com tranquilidade, ver os parques e praças cheios de crianças brincando sem os pais terem que se preocupar.
– Facilidade: desde oportunidades para conseguir um trabalho (pra quem tem visto, claro) até a falta de burocracia com as coisas, tudo aqui é muito fácil de fazer quando comparado ao Brasil.
– Honestidade: a NZ está entre os países menos corruptos do mundo e dá pra sentir isso no dia-a-dia, todo mundo confia em todo mundo, às vezes chega ao ponto da ingenuidade até, mas achamos isso ótimo.
– Belezas naturais: o país é lindo, a cidade é linda, e mesmo quando bate uma tristeza é só olhar pra fora e ver a paisagem pra se encantar de novo.
– Esportes: pra quem gosta de surf, snowboard, kitesurf, skydiving, ou qualquer coisa parecida como a gente gosta, aqui é o lugar.
Negativos:
– Distância: aqui é muito longe do resto do mundo, do Brasil então nem se fala. Além da diferença de horário que já falamos, o tempo que leva pra chegar no Brasil é geralmente umas 21 horas, não vale a pena ir pra ficar pouco tempo. Além das passagens serem super caras, então não dá pra ir visitar com muita frequência.
– Frio e vento: sim, aqui é uma ilha paradisíaca do Pacífico, mas nada tropical.. o clima é temperado, o que pra quem vem do Brasil é mais frio na maior parte do ano. Sendo uma ilha, o vento é constante e Wellington especialmente é famosa por seus ventos de 120km/h. A água do mar é muito gelada!
– Muitas vezes a Nova Zelândia pode ficar chata. Por ser um país pequeno e isolado, não tem muita coisa pra fazer por aqui além daquelas relacionadas à natureza.

JAPAO

– Quais os pontos positivos e negativos de morar nesse país?
Positivos: Educação, organização, união…
Negativos: Saúde, inflexibilidade, competição…

Positivos: estabilidade financeira, seguranca, organizacao.
Negativos: falta de calor humano

Pontos positivos: Seguranca, Saude, Transporte, Educacao, Comida.
Pontos negativos: Custo de aluguel ou prestacao de compra de imovel.

domingo, 16 de julho de 2017

COMO A COLÔMBIA CONSEGUIU REDUZIR A VIOLÊNCIA





A vacina antiviolência

Os casos de Bogotá e Medellín mostram que ela já foi inventada e não depende de pôr fim à miséria
OS ataques do PCC combinados às eleições tiraram o foco de um dos fatos sociais mais interessantes do país: a veloz e consistente redução do número de homicídios em São Paulo. Nos últimos cinco anos, a queda foi de 51%, devido, em boa parte, à evolução da segurança da região metropolitana e, especialmente, da capital, onde houve avanços nas áreas mais violentas.
Embora fundamental, o aprimoramento do policiamento não explica o fenômeno. Olhando mais de perto os bairros em que mais caiu a violência, vemos uma teia de ações que envolvem a mobilização comunitária, a atuação de entidades não-governamentais, o apoio de empresas, o trabalho com grupos de risco -os jovens-, as campanhas de desarmamento, a reforma de espaços públicos e a oferta de programas de complementação de renda.
Se o PSDB e seu candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, têm motivos para apresentar os números da segurança como uma vitória, o PT também pode lembrar que programas seus na periferia de São Paulo, como a ampliação da renda mínima e a criação de áreas de convivência, exerceram impacto nos índices de homicídio. Uma das melhores experiências de segurança, no país, é Diadema, comandada por um petista.
Saber quem deve faturar ou não com um avanço social é compreensível num ano eleitoral. Mas, convenhamos, é uma visão medíocre. Digo isso pois acabo de voltar da Colômbia, onde fui conhecer experiências em Bogotá e Medellín, apontadas como as cidades mais violentas do mundo, hoje convertidas em laboratórios de paz. Apenas em Medellín, por exemplo, a taxa de assassinatos caiu em 90%; boa parte dessa queda ocorreu nos últimos três anos.
 
As duas cidades mostram que a vacina para reduzir níveis de violência, mesmo em lugares pobres, foi inventada e não depende de acabar a miséria. Isso significa que, apesar dos avanços em São Paulo, eles poderiam ser ainda mais profundos e rápidos. Significa ainda que o Brasil não precisa reinventar a roda para reduzir sua insegurança nas ruas.
Para nós, brasileiros, Bogotá e Medellín, com sua pobreza de Terceiro Mundo, são casos ainda mais interessantes que Nova York, onde a renda e o emprego são os de uma nação rica. Mais do que isso, a violência na Colômbia é extraordinariamente complexa, por misturar diversos grupos de guerrilheiros, narcotraficantes, paramilitares, gangues juvenis e assaltantes comuns.
A primeira lição que tiramos dali é: os três níveis de governo -nacional, estadual e municipal- trabalham articuladamente. O prefeito, o chefe da polícia, exerce forte papel na execução de planos de segurança. Essa é a prerrogativa dos prefeitos das regiões metropolitanas. Mas a polícia continua sendo nacional.
A cidade cobra o desempenho do prefeito em questões como roubo e furtos assim como sobre a limpeza das ruas e a qualidade de ensino.
 
Eles mexeram na polícia e no sistema prisional. Deram, por exemplo, cursos para carcereiros em universidades. Investiram em policiamento comunitário, mais próximo da população. Junto com a repressão, implementaram-se ações sociais que, mais uma vez, envolvem múltiplas frentes, como reformar espaços públicos, melhorar as escolas, criar centros de convivência comunitária, introduzir mecanismos de resolução de conflitos, focar em programas de inserção dos jovens.
Em Bogotá, melhorou-se o transporte público nos bairros mais pobres, abriram ciclovias, reservaram, em fins de semanas, as principais vias para pedestres, implantou-se uma gigantesca rede de bibliotecas. Parques foram feitos em áreas deterioradas. Usou-se das artes para gerar um senso de pertencimento entre jovens e como mecanismo para retomar as ruas. Os centros de recuperação de jovens infratores são tidos como exemplo mundial de eficiência, geridos, em contrato de gestão, por uma entidade privada.
Novamente acharemos, nessa rede, a articulação de vários níveis de poder, indo do bairro à Presidência.


Os habitantes de Bogotá e Medellín, apesar das conquistas, não estão satisfeitos, convencidos de que podem ir além, afinal a violência segue alta para padrões civilizados. E, aqui, outra lição: tornar a cidade habitável e segura não era e não é discurso de político em campanha, mas prioridade de todos, avaliada todo mês. A pressão não pára e faz do prefeito um educador da paz. O problema é menos de dinheiro que de competência administrativa e articulação local. Sem exagero, nenhum presidente, governador ou prefeito brasileiro pode se dar o direito de não conhecer como os colombianos desenvolvem essa vacina contra a violência. É uma questão de salvar vidas.
 

Prefeito "louco" mobilizou a sociedade

Filósofo, matemático e pedagogo, Antanas Mockus assumiu, em 95, a prefeitura de Bogotá e, em meses, determinou que bares fechassem mais cedo para reduzir riscos provocados pelo álcool. Apanhou não dos amantes das noitadas, mas porque a medida parecia sem importância numa cidade convulsionada pela guerra de quadrilhas, com 4.300 assassinatos por ano.
No auge da polêmica, ele levou um grupo de jovens ao cemitério; era exatamente o número dos que teriam morrido, segundo os cálculos da prefeitura, sem a "lei seca". Tirou uma foto deles na frente das covas e lembrou que, naquele momento, estariam não em cima, mas debaixo da terra. Virou a opinião pública a seu favor. "O crime é o resultado do fracasso da pedagogia." Por causa dessa idéia, tratou de adotar ações para mudar a cultura do morador e, assim, gerar um ambiente mais pacífico.
Não foram poucos os que o chamaram de "louco" e "palhaço" quando ele contratou mímicos. "O trânsito, com seus inúmeros acidentes, era o melhor reflexo de nossa selvageria." Os motoristas não tinham o hábito, por exemplo, de respeitar a faixa de pedestres. E, , entravam os mímicos, fazendo brincadeiras com os transgressores, obviamente constrangidos. As multas viriam mais tarde. A prefeitura distribuía centenas de milhares de cartões que mostrassem aprovação e desaprovação. "Rapidamente, as pessoas, em vez de xingar ou de sequer reclamar, mostravam os cartões. Crianças aprenderam a vaiar quem avançasse na faixa."
Para que todos visualizassem os traumas de trânsito, Mockus mandava pintar cruzes no asfalto exatamente no local em que ocorriam os acidentes. Criou o hábito de divulgar todos os meses, sem exceção, a estatística de homicídios na cidade, acompanhada pela opinião pública como se fosse resultado do campeonato de futebol.
Tal atitude educativa, segundo ele, deveria ser levada para atividades da cidade. Os centros de recuperação de jovens infratores são tidos como modelo mundial -extremamente focados na aprendizagem e administrados por uma entidade privada.

A força da biblioteca
Além das medidas repressivas, preventivas e educacionais, implementaram-se reformas urbanas nos bairros mais pobres, alguns deles nas montanhas, totalmente isolados. Construíram-se escadas, promoveu-se a coleta do lixo, escolas foram ampliadas, abriram centros de saúde e ofereceu-se um sistema de transporte -em alguns casos, de teleférico.
Para acompanhar, em detalhes, a evolução de cada indicador, nasceu um entidade civil chamada "Como Vamos Medellín", cujos resultados são amplamente divulgados pela mídia. É uma espécie de termômetro para medir qualidade de vida, em que se contabilizam desde seqüestros, roubos, furtos até evasão escolar, gravidez precoce, renda dos trabalhadores e desemprego.
Neste momento, estão construindo numa das regiões mais pobres uma imensa biblioteca, em meio ao verde para servir de ponto de encontro tanto quanto de leitura. A idéia é que, em cada bairro, o principal centro seja uma biblioteca. "Achamos que quem gosta de ler não gosta de matar", aposta Salazar.

Impacto do urbanismo
Os projetos urbanísticos recuperaram a região central de Bogotá, tão deteriorada como as das grandes cidades brasileiras -e isso atraiu mais pessoas para as ruas. Praças foram criadas ou reformadas. Aos domingos, as principais vias são fechadas ao trânsito, agora exclusivas para pedestres e ciclistas.
Assim com em Medellín o epicentro da violência estava na Comuna 13, em Bogotá a concentração se repetia num bairro com o sugestivo nome de Cartucho -a versão ainda mais piorada da Cracolândia, em São Paulo. Avaliou-se que ali não havia mais jeito. O poder municipal transformou toda aquela área em um imenso parque e tratou de encaminhar seus moradores para outros locais.
Para preencher essas regiões recuperadas, a prefeitura decidiu promover constantes shows de música, entre várias outras ações culturais como festivais de teatro e de dança. Os efeitos dessas iniciativas eram vistos no surgimento de uma nova vida noturna, antes limitada porque as famílias tinham medo de sair de casa.
Evidentemente essas medidas seriam frágeis se não tivessem aumentado o número de policiais e aprimorado seu treinamento -passaram a receber cursos na universidade-, não fossem implantados núcleos de policiamento comunitário e não se sofisticassem os controles na prisão para reduzir a força do crime organizado. Houve um treinamento específico para os carcereiros. Foi fundamental o esforço dos governantes em tentar desarmar a guerrilha e os paramilitares.
Mas a engenharia social de Bogotá é ainda mais complexa, e, como em Medellín, motivada por um trauma coletivo. É a sensação de um colapso provocado pela generalização da violência estimulada pela junção de narcotraficantes, paramilitares, guerrilheiros e quadrilhas. Tudo isso se potencializava nos bairros pobres, com seus jovens desempregados, baixa escolaridade, desestrutura familiar, violência doméstica, falta de opções de lazer, gravidez precoce. "Sentíamos que não tínhamos tempo a perder. Tudo parecia urgente", conta a jornalista colombiana especializada em violência Bibiana Mercado, agora na ONU. Estavam em Bogotá muitos dos alvos dos cartéis de Cali e, especialmente, de Medellín. Políticos, promotores, juízes, jornalistas eram mortos rotineiramente.

Pactos com a guerrilha
Diante do emaranhado de fontes de violência, apenas uma ofensiva simultânea em vários flancos teria alguma chance de funcionar, a começar de um pacto político com as forças clandestinas.
O chefe de Luiz Blandon, o ex-combatente das Farc, hoje com seus livros distribuídos em pontos de ônibus, é o advogado Darío Villamizar, ex-guerrilheiro do M-19. No passado, o M-19 destruiu o prédio da Suprema Corte e matou 70 pessoas, entre elas 11 juizes. "Aprendemos que a paz era o melhor caminho", conta Villamizar, responsável pela inserção na sociedade de ex-guerrilheiros e paramilitares que abandonaram as armas. "O que fazemos é transformá-los em empreendedores para que toquem sua vida."
Depois de abandonar as armas, líderes do M-19 montaram o "Observatório da Paz". Um de seus programas, dirigido por Vera Grabe, é disseminar a cultura do entendimento e do diálogo nos bairros mais violentos. "Sabemos o impacto positivo que se alcança quando aproximamos as crianças e os jovens da cultura. A música, a dança, o teatro, as artes plásticas, a comunicação prestam-se como fonte de realização e vacina contra a marginalidade", diz.
Para ajudar a disseminar esse tipo de ação, o Unicef sedia um projeto chamado "Aliança para a Paz". Coletam-se as mais diversas experiências, que são sistematizadas, formando um banco de êxitos a ser compartilhado nos diferentes níveis de governo. A Secretaria de Educação de Bogotá, por exemplo, mantém um laboratório de pedagogia comunitária, cuja missão é transferir todo esse conhecimento para a rede de ensino -ela integra a lista de entidades associadas da "Aliança para a Paz".

Pela educação
Melhorar a educação formal foi um dos ingredientes do plano amplo contra a violência. O poder público se empenhou em aumentar a matrícula, reduzir a evasão e, através do treinamento para os professores, oferecer melhor qualidade de ensino. Bogotá é o epicentro, na América Latina, da idéia de Cidade Educadora, segundo a qual todos os serviços públicos e privados da cidade devem estar conectados às escolas.
Os empresários de Bogotá acreditaram que poderiam fazer a diferença na questão educacional, interessados diretos na questão da segurança, afinal viviam ameaçados, e na produção de mão-de-obra qualificada. "Nossa contribuição foi focada na gestão, que é o que mais entendemos", afirma Guilhermo Carvajalino, principal executivo do movimento "Empresários pela educação".
Os últimos cinco prefeitos eleitos de Bogotá - antes eram indicados- tiveram a assessoria ininterrupta dos técnicos indicados pelo grupo de empresários. Isso explica, em parte, por que o nível educacional da cidade, medido em testes, é o mais elevado do país.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

PERGUNTA QUE NÃO QUER SE CALAR

Joesley da JBS passou de 2003 a 2014 enchendo os bolsos com recursos públicos agraciado por Lula e Dilma e não apresentou nada, absolutamente nada concreto contra os líderes do PT, um partido onde NADA É DE GRAÇA. Tem o mensalão, o petrolão e a lava jato e de repende, saído do nada, aparece espontaneamente Joesley Batista com todo rol de delação feito e empacotado. Que é imediatamente aceito pelo inimigo público de Temer, o procurador Janot, com um detalhe: O PERDÃO TOTAL DOS CRIMES CONFESSOS DOS IRMÃOS BATISTAS. Tudo isso é pra lá de estranho e questionável nessa podridão que virou a política brasileira.

domingo, 28 de maio de 2017

Por que será que Joesley não foi preso?



Como um açougueiro de Goiás termina bilionário em Nova Iorque, mentindo, subornando e corrompendo, sem dever nada para a justiça? Crime perfeito?

As duas principais questões existenciais do ser humano são: “De onde viemos?” e “Para onde vamos?”. Para Joesley Batista as respostas para estas perguntas são fáceis: “Vim pobre do interior de Goiás” e “Vou bilionário para Nova Iorque”.

Mas como tudo na vida de Joesley Batista é peculiar, sua recente biografia acrescenta uma terceira pergunta existencial, essa sim aparentemente impossível de ser respondida: Como ele conseguiu fazer isso?

Há uma teoria bastante interessante que possui início, para a falta de surpresa de todos, nas dependências da Procuradoria Geral da República, com o cacique geral Ricardo Janot e sua competente equipe de procuradores.

Como toda história que parece ser complexa, esta também não é. Pode-se entendê-la facilmente ao se fazer apenas meia dúzia perguntas:

Joesley Batista: o criminoso mais poderoso do Brasil?
1) Quem trabalha no escritório de advocacia de Joesley Batista?
Marcelo Miller.
2) Quem é Marcelo Miller?
Ex-Procurador da República, reconhecido como um dos mais duros e eficazes do Ministério Publico Federal. Seu último trabalho foi para o Procurador-geral da República Ricardo Janot, como membro da equipe designada para processar os investigados pela Operação Lava Jato. Miller, considerado um dos principais braços-direitos de Janot e com acesso irrestrito à todo material que produzido pela Lava Jato, foi o procurador responsável pelas delações do ex-senador Delcidio do Amaral e do ex-diretor da Transpetro Sergio Machado, ambos com uma peculiar ligação com Joesley Batista.
3) Por que 6 de março é uma data importante?
Foi nesse dia que Marcelo Miller, para a surpresa de seus colegas da Procuradoria, repentinamente decide encerrar sua carreira pública e arriscar uma nova fase profissional no mundo privado, indo trabalhar na conceituada banca carioca de advocacia Trench, Rossi & Watanabe Advogados. Coincidentemente, este é o escritório que foi contratado pela JBS para negociar seu acordo de leniência com a equipe de procuradores da Lava Jato de Janot. A mesma equipe que Miller pertencia até poucas horas antes.
4) Por que 7 março é uma data importante?
Apenas um dia após Miller se aventurar na iniciativa privada, Joesley visita o presidente Temer e faz a controversa gravação com seu gravador xing ling.
5) Qual é a peculiar ligação entre Delcidio, Machado e Joesley?
O sucesso que o ex-procurador Miller obteve na condenação de Delcidio do Amaral e Sergio Machado está baseado no mesmo modus operandi: gravação feita sem conhecimento de quem estava sendo gravado. Parece familiar? Exatamente o que Joesley fez com o presidente Temer. Miller demonstrou que conhece profundamente os instrumentos legais para lidar com casos deste tipo. O escritório de advocacia que empregou o ex-procurador há apenas 24 horas, conseguiu obter de Janot o incrível acordo de leniência para Joesley, baseado numa gravação clandestina.
6) O que foi que o acordo que o escritório do ex-procurador Marcelo Miller conseguiu com o Procurador-geral da República Janot que o torna tão incrível?















Nada! Nada de tornozeleira eletrônica, nada de passaporte apreendido, nada de cadeia, nada de prisão domiciliar, nada de débitos com a justiça, nada de bens apreendidos, nada de burocracia.

O contribuinte brasileiro se sente como um palhaço. Financiou o maior esquema de corrupção da história do Brasil e seu protagonista, Joesley Batista, sai livre, sem dever nada para a justiça

Biobrafia recente

Como foi você que pagou a conta desta insana comédia, conheça alguns fatos edificantes da recente biografia de Joesley Batista:

- Rico com dinheiro dos trabalhadores : Nos governos do Partido dos Trabalhadores, Joesley conseguiu vários empréstimos com dinheiro pago pelos contribuintes, destacando-se R$ 9 bilhões do BNDES e R$ 3 bilhões da Caixa Econômica Federal.

- Tudo pelos trabalhadores. Os americanos : Cerca de 70% desse dinheiro foi usado para a JBS comprar 59 fábricas nos Estados Unidos, gerando centenas de empregos para o povo americano, justamente no momento em que o Brasil passa pela maior crise de desemprego de sua história.

- Capitalismo de esquerda : Para acrescentar insulto à injuria, as fabricas internacionais de Joesley, compradas com nosso dinheiro, competem diretamente com as fábricas brasileiras.

- Pátria amada : O resultado desta irresponsável farra da mistura do público com o privado é que mais de 85% das receitas da JBS passaram a ser produzidas pelas suas fábricas nos Estados Unidos, país que Joesley escolheu para morar com sua família. O Brasil se tornou um local irrelevante para Joesley.

- Transporte conveniente : Para facilitar seu deslocamento por ar e mar na sua nova pátria, Joesley levou para os Estodos Unidos o seu jato Gulfstream de 20 lugares que vale 65 milhões de dólares e seu iate de 10 milhões de dólares.

- Esta sim é a democracia "daselite" : Joesley também usou parte do dinheiro público que ganhou para comprar partidos políticos, presidentes, governadores, senadores e deputados. Estes políticos, por sua vez, se encarregaram em produzir e aprovar leis que beneficiavam financeiramente a JBS e ao mesmo tempo aprovavam mais empréstimos para as empresas de Joesley.

- Só mais um pouquino : Antecipando o tsunami financeiro que seu acordo de leniência iria causar no mercado financeiro, Joesley decidiu lucrar algumas centenas milhões, usando informações privilegiadas. Antes das gravações clandestinas serem divulgadas, ele comprou cerca de 1 bilhão de dólares no mercado futuro e vendeu R$ 320 milhões em ações de sua empresa. Como antecipado, no dia 17 de maio, quando as gravações vieram à público, o mercado acionário derreteu e o dólar explodiu em alta. Estima-se que Joesley tenha embolsado R$ 700 milhões.

- Ficha limpa : Como resultado dos fatos acima, o bilionário Joesley recebeu permissão para ir morar numa de suas propriedades nos Estados Unidos, ficando 100% quite com justiça brasileira. Joesley não deve nada, é um ficha limpa blindado.

Nada mal para Joesley Batista, um açougueiro do interior de Goiás

domingo, 30 de abril de 2017

MORRE BELCHIOR UM GRANDE ICONE DA MPB






De acordo com informações repassadas pela delegada Rachel Schneider, neste domingo (30), a análise preliminar do Instituto de Medicina Legal (IML) aponta que a morte de Belchior pode ter sido causada pelo rompimento da artéria aorta. O corpo do cantor, morto na noite desse sábado (29), passou por necrópsia ainda na tarde de hoje.

O cantor e compositor cearense tinha 70 anos e morava em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, Rio Grande do Sul, distante cerca de 120 km de Porto Alegre. Mais cedo, a polícia trabalhava com a hipótese de que a morte de Belchior teria sido provocada por causas naturais.

De acordo com a delegada, exames médicos iniciais revelam que a possível causa da morte de Belchior teria sido uma dissecção na aorta, quando há uma divisão na parede da artéria (composta por três camadas), levando o sangue a seguir um falso trajeto entre as camadas. Segundo ela, somente o laudo médico do Instituto Médico Legal (IML) poderá confirmar a hipótese.

Conforme Raquel, a companheira de Belchior informou que o músico estava escutando música clássica em uma sala nos fundos da casa, quando se queixou de sentir frio e de dor nas costas. Belchior teria pedido um cobertor e disse para Edna que permaneceria no sofá da sala.
Hipertensão arterial

Há relatos de que, nos casos de dissecção da aorta, em geral as pessoas relatam uma dor aguda iniciada no tórax e que se irradia em direção à coluna, de cima para baixo. Apesar de não haver informações sobre a saúde do cantor, a hipertensão arterial é o fator mais comum nos casos de dissecção.

Autor de mais de 20 discos e um dos ícones da MPB, Belchior, natural de Sobral, no Norte do Ceará, é autor de sucessos como A Palo Seco, Medo de Avião, Apenas um Rapaz Latino-Americano e Como Nossos Pais. Suas composições marcaram décadas nas vozes de grandes artistas brasileiros e deixam um legado artístico e cultural para o Brasil e para mundo.

A delegada informou ainda que o corpo de Belchior foi transferido para Cachoeira do Sul (a cerca de 200 km de Porto Alegre), de onde seguiria para a cidade de Venâncio Aires. Só então seria encaminhado para Porto Alegre, de onde partiria para Fortaleza.Ceará

A previsão é que o corpo chegue no aeroporto Pinto Martins, na capital cearense, no início da manhã desta segunda-feira (1º). De lá, segue para a cidade natal do artista, onde será velado por cerca de duas horas, no Teatro São João.

Depois disso, haverá uma outra cerimônia, que deverá ocorrer na terça-feira (2), no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema, em Fortaleza, onde o artista deverá ser enterrado

domingo, 23 de abril de 2017

CONTRASTES ENTRE O RN E PB



Em vídeo o jornalista Wanderley Filho mostra a realidade nas principais áreas: estradas, saude e segurança. Não é que a Paraíba não tenha problemas, mas que no RN está demais.

A coisa na segurança está tao escandalosa olha só o que aconteceu em Natal, esta semana

ASSALTO EM VELÓRIO E SEQUESTRO DE VIÚVA:


Um velório em uma funerária na Av. Alexandrino de Alencar, no Bairro do Alecrim, em Natal, terminou com grande tumulto.

Na madrugada desta sexta-feira (21), três bandidos invadiram a funerária, fizeram o arrastão nas pessoas que participavam do velório e ainda sequestraram a viúva.

O sepultamento ocorreu às 09h, sem a presença da viúva, que até o momento não apareceu, segundo informações da Polícia Militar repassadas pelo RN TV.

VAMOS AO VIDEO DO JORNALISTA MOSTRANDO OS CONTRASTES DOS DOIS ESTADOS:


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